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Milhares protestam contra Trump na Groenlândia e na Dinamarca após anúncio de tarifas

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Milhares de groenlandeses marcharam cuidadosamente sobre a neve e o gelo para se manifestar contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, neste sábado, 17. Protestos similares também ocorreram na Dinamarca, que controla o território desde o século 18.

Manifestantes carregavam cartazes de protesto, agitavam a bandeira nacional e entoavam: "A Groenlândia não está à venda", em apoio à sua autonomia diante das crescentes ameaças de uma anexação americana.

Assim que os manifestantes terminaram sua caminhada, do pequeno centro da capital Nuuk até o Consulado dos EUA, chegou a notícia de que Trump impôs tarifas de importação de 10% sobre produtos de oito países europeus, em face da oposição deles ao controle americano da Groenlândia.

"Eu pensei que este dia não poderia ficar pior, mas acabou de ficar", disse Malik Dollerup-Scheibel ao ser informado pela Associated Press (AP) sobre o anúncio de Trump. "Isso só mostra que ele não tem remorso por qualquer ser humano agora."

Dollerup-Scheibel, um groenlandês de 21 anos, e o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, estão entre os que descreveram o protesto como o maior já visto na ilha, atraindo quase um quarto da população de Nuuk.

Outros manifestantes realizaram comícios e marchas de solidariedade em todo o Reino da Dinamarca, incluindo Copenhague, bem como na capital do território governado por inuítes de Nunavut, no extremo norte do Canadá.

Os inuítes, ou esquimós, são nativos do Ártico e habitam partes do Alasca, do Canadá e da Groenlândia."Isso é importante para o mundo todo", disse a manifestante dinamarquesa Elise Riechie enquanto segurava bandeiras dinamarquesas e groenlandesas em Copenhague. "Há muitos países pequenos. Nenhum deles está à venda."

Em Nuuk, groenlandeses de todas as idades ouviram canções tradicionais enquanto caminhavam até o consulado. Marie Pedersen, uma groenlandesa de 47 anos, disse que era importante levar seus filhos à manifestação "para mostrar a eles que têm direito de se manifestar".

"Queremos manter nosso próprio país e nossa própria cultura, e nossa família segura", disse ela. Sua filha de 9 anos, Alaska, fez seu próprio cartaz com a frase "A Groenlândia não está à venda".

A menina disse que seus professores abordaram a controvérsia e ensinaram os alunos sobre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na escola.

(Com Agência Estado)

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