Machado foi recebida nas proximidades do presídio Rodeo I por cerca de 100 familiares de prisioneiros políticos, em meio a palavras de ordem. "Libertem todos os presos políticos", dizia um cartaz.
Cercada pelos familiares dos detidos e sob um sol forte, a dirigente leu uma lista com os nomes de mais de 400 presos políticos e o tempo de pena que cada um deles está cumprindo.
Somam-se 1.456 anos "que foram arrancados apenas destes venezuelanos", afirmou.
"Liberdade para todos os presos políticos, justiça para as vítimas, reparação para seus familiares, memória para que nunca se esqueça e garantias para que isso nunca mais aconteça', disse ela ao terminar a leitura da lista.
A líder opositora visita este acampamento após seu retorno à Venezuela, em 25 de outubro, depois de quase dez meses no exílio. O acampamento foi montado poucos dias após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos, em janeiro.
"Não descansaremos até que o último preso político - civil ou militar - obtenha liberdade plena", assegurou Machado.
"São milhares de perseguidos, milhares de torturados", além do fato de que "23 presos políticos morreram sob custódia do regime" desde 2015, indicou. Cerca de mil prisioneiros políticos foram libertados este ano na Venezuela, no âmbito de uma anistia promovida pela presidente interina; contudo, a ONG Foro Penal denuncia que mais de 300 continuam atrás das grades, sendo 68 deles em Rodeo I.
Na segunda-feira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, instou o governo interino de Delcy Rodríguez a "continuar a libertação dos prisioneiros políticos que ainda permanecem" detidos.
Retorno de Corina ao país
O retorno de Corina ao país, após mais de 10 meses no exílio, ocorreu em um momento em que se aprofundam as dúvidas sobre o futuro democrático da Venezuela e sobre o papel dos Estados Unidos nesse processo.
Desde a destituição de Maduro, a Venezuela tem sido governada pela presidente interina Delcy Rodríguez, antiga aliada de Maduro, que recebeu o aval do governo Trump para sucedê-lo.
Rodríguez ultrapassou o período durante o qual estava autorizada a exercer o cargo de presidente interina após a captura de Maduro, mas não há eleições previstas.
A líder da oposição passou 11 meses escondida na Venezuela após ser detida brevemente durante um protesto em janeiro de 2025. Depois de deixar o país em uma rota clandestina, ela reapareceu em dezembro daquele ano, na Noruega, onde recebeu o Prêmio Nobel da Paz por sua oposição pacífica ao governo autoritário de Maduro.
Corina e seus aliados vêm exigindo a definição de uma data para as eleições presidenciais na Venezuela, mas autoridades americanas têm enfatizado que a estabilização econômica deve vir primeiro.
(Com Agência Estado)
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