Mundo Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011, 14:56 - A | A

Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011, 14h:56 - A | A

ONDA DE REVOLTAS

Junta militar do Egito pede desculpas por mortes em protestos

Forças Armadas do Egito apresentaram pedido de desculpas por mortes em confrontos entre forças de segurança e manifestantes

DA FOLHA DE SÃO PAULO

As Forças Armadas do Egito apresentaram nesta quinta-feira um pedido formal de desculpas pelas mortes registradas nos violentos confrontos entre as forças de segurança e manifestantes que pediam a transferência de poder na mão dos militares para os civis.

O conselho pediu desculpas em nota, ofereceu suas condolências às famílias dos mortos, e prometeu uma rápida investigação para descobrir quem estava por trás dos incidentes.

Em um comunicado publicado em sua página no Facebook, o CSFA (Conselho Superior das Forças Armadas) "lamenta e apresenta suas profundas desculpas pela morte como mártires de filhos leais ao Egito nos recentes acontecimentos da praça Tahrir".

Mohammed Abu Zaid/Associated Press

Manifestantes egípcios se protegem atrás de barricada montada na praça Tahrir, no Cairo

Uma trégua entre a polícia egípcia e manifestantes durante a madrugada desta quinta-feira conseguiu aplacar a violência que matou 39 pessoas em cinco dias e deixou mais de 3.000 feridos, mas as pessoas que estão protestando na praça Tahrir, no Cairo, prometeram ficar no local até que o Exército renuncie ao poder.

O conselho militar, que atualmente governa o Egito e que prometeu realizar as eleições parlamentares como previsto na segunda-feira, disse estar fazendo todo o possível para "impedir a repetição desses eventos".

Segundo o jornal britânico "The Guardian", os manifestantes querem que o pleito programado para dia 28 seja adiado e que um conselho de anciãos substitua os militares no comando do país. Os protestos atuais são vistos como uma segunda fase decisiva para o Egito após as revoltas de janeiro que derrubaram o ditador Hosni Mubarak.

A junta militar assumiu o poder no Egito em 11 de fevereiro, substituindo o presidente Hosni Mubarak, deposto após uma rebelião popular que teve como epicentro a praça Tahrir, no Cairo.

Sob intensa pressão de protestos nas ruas, o chefe da junta militar egípcia prometeu na noite de terça-feira transferir até julho o poder a um presidente civil, e fez uma oferta condicional para um fim imediato do regime militar.

TRÉGUA

Manifestantes na praça Tahrir disseram que uma trégua havia sido estabelecida à meia-noite. Ao amanhecer, a área estava tranquila pela primeira vez em dias.

"Desde aproximadamente meia-noite ou 1h da manhã não houve mais confrontos. Estamos aqui para garantir que ninguém ultrapasse a linha de isolamento", disse Mohamed Mustafa, 50, que bloqueava uma rua de acesso ao Ministério do Interior, foco de grande parte da violência.

Eles estavam protegendo a barricada construída com uma cerca de metais quebrados, uma cabine telefônica deitada de lado e parte de um poste de luz.

Amr Nabil/Associated Press

Milhares de egípcios são vistos na praça de Tahrir durante protestos por mais democracia no país na terça-feira (22)

Na outra extremidade da rua, vidro estilhaçado, blocos de concreto e montes de lixo, e ao menos dois policiais armados bloqueavam a passagem. O grupo de Mustafa disse que havia policiais na linha de frente, e atrás deles estava o Exército.

Manifestantes na praça Tahrir construíram barricadas semelhantes para bloquear o acesso à rua Mohamed Mahmoud, local de repetidos confrontos. "Nós construímos um espaço para nos separar da polícia. Estamos aqui para garantir que ninguém irá violar (a barreira)", disse Mahmoud Adly, de 42.

IMPASSE

Nas últimas semanas, manifestantes, em sua maioria islamitas e jovens ativistas, vêm protestando contra um projeto de Constituição que, segundo eles, permitiria que os militares mantivessem muito poder. Segundo o projeto, os militares e seu orçamento não ficariam sujeitos a uma supervisão civil.

Na sexta-feira, mais de 50 mil egípcios compareceram à praça Tahrir para pressionar a junta militar a apressar a transferência do poder para um governo civil, depois de o gabinete interino apresentar uma proposta constitucional que reafirma o poder das Forças Armadas.

Os islamitas egípcios, que convocaram a manifestação, querem protestar contra o projeto proposto pelas autoridades, estimando que a prerrogativa corresponde ao futuro Parlamento que deve ser constituído a partir de eleições que começam em 28 de novembro.

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