A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, confirmou nesta quinta-feira, 30, que "medidas extraordinárias" estão sendo consideradas para proteger as fronteiras do país, incluindo a suspensão do Acordo de Schengen.
"As imagens vindas de Ceuta são chocantes e demonstram, mais uma vez, que a imigração ilegal descontrolada representa uma ameaça concreta à segurança das fronteiras europeias", escreveu Meloni em suas redes sociais.
O Acordo de Schengen é um tratado assinado por diversos países europeus para eliminar os controles de fronteira nas suas divisas internas, permitindo a livre circulação de pessoas entre os territórios participantes.
O anúncio foi feito após a chegada a nado de milhares de migrantes ao enclave espanhol no norte da África. O prefeito-presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, afirmou nesta sexta-feira, 31, que cerca de 60 mil migrantes entraram no território nos últimos dias. O número equivale a 70% da população regular de Ceuta, estimada em pouco mais de 80 mil habitantes.
"Não cederemos um milímetro em relação à imigração ilegal: proteger nossas fronteiras, deter os traficantes de pessoas e garantir repatriações eficazes continuarão sendo a política deste governo", afirmou a premiê italiana.
O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, declarou apoio à suspensão da Espanha do Acordo de Schengen. "Sou a favor de fechar a área Schengen com a Espanha e tenho total confiança no trabalho do ministro Piantedosi", escreveu ele na rede social X.
Espanha convoca embaixador da Itália
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, anunciou a convocação do embaixador italiano em Madri, Giuseppe Buccino Grimaldi, após as declarações do vice-premiê Antonio Tajani sobre o espaço Schengen e a crise migratória em Ceuta, para apresentar um protesto formal.
Em publicação no X, o ministro espanhol afirmou que a declaração de Tajano é "lamentável".
"Esta mensagem do ministro das Relações Exteriores de uma nação amiga e parceira - de quem esperamos solidariedade europeia, e não demagogia partidária - é lamentável", escreveu.
Finlândia acusa Espanha de omissão
A ministra do Interior da Finlândia, Mari Rantanen, usou as redes sociais para acusar a Espanha de omissão. "A Espanha falhou completamente em proteger a fronteira externa do Espaço Schengen contra incursões. Isso não pode continuar. Todos os países europeus devem apoiar a proposta de Meloni. Países que não cumprem sua obrigação de proteger as suas fronteiras externas não podem ser membros do Espaço Schengen", escreveu em uma postagem no X.
França reforça fronteiras
O presidente da França, Emmanuel Macron, determinou reforço nas fronteiras com a Espanha diante da crise migratória. A ordem foi confirmada pelo ministro do Interior francês, Laurent Nuñez.
"Diante da situação constatada no enclave de Ceuta, dei ontem à noite instruções para reforçar imediatamente os controles na fronteira espanhola. Além disso, estou acionando a Força de Intervenção Rápida de Fronteira para realizar controles aprofundados", afirmou Nuñez.
(Com Agência Estado)
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