Mundo Sexta-feira, 15 de Julho de 2011, 08:11 - A | A

Sexta-feira, 15 de Julho de 2011, 08h:11 - A | A

DE VOLTA PRA CASA

EUA começa retirar a soldados do Afeganistão

Um grupo de 650 soldados que estavam baseados no nordeste de Cabul deixou o Afeganistão e não será substituído

PORTAL UOL

Um primeiro contingente dos 10 mil soldados que os Estados Unidos planejam retirar ainda este ano do Afeganistão já começou a deixar o país, anunciaram nesta sexta-feira autoridades militares norte-americanas.

Um grupo de 650 soldados que estavam baseados no nordeste de Cabul deixou o Afeganistão e não será substituído, afirmou o major Michael Wunn, porta-voz do Exército dos EUA.
Pelo menos 800 militares devem partir do Afeganistão até o final de julho e 10 mil até o final do ano, garantem as autoridades norte-americanas.

As forças de segurança de Washington representam mais de dois terços das tropas da coalizão internacional em serviço no Afeganistão, que conta com um total de 140 mil militares.

PLANO DE RETIRADA

Ainda no fim de junho, Obama decidiu acelerar o plano de saída dos militares americanos do Afeganistão, confirmando que ao menos 10 mil retornarão aos EUA ainda em 2011 e outros 23 mil devem encerrar sua participação na guerra até setembro de 2012.

Até então sabia-se dos planos de retirar ao menos 33 mil homens até o prazo final de 2012 mas as pressões dos congressistas e da opinião pública levaram o presidente a optar por uma saída mais rápida.

Os EUA mantêm no total cerca de 100 mil militares em suas operações no país, iniciadas há quase dez anos.

"É hora de começar a focar no desenvolvimento de nossa nação", disse Obama após indicar que na última década os EUA gastaram mais de US$ 1 trilhão nas guerras do Iraque e do Afeganistão.
Logo no início do discurso, Obama relembrou os ataques terroristas de 11 de setembro 2001 e as estratégias quanto ao Iraque e o Afeganistão contra a Al Qaeda e o Taleban --e a data em que anunciou o envio de 30 mil militares ao Afeganistão no final de 2009 como um reforço adicional (movimento conhecido como "surge", em inglês).

Obama disse que o enfraquecimento da Al Qaeda, que "sofre enormemente, de acordo com os documentos encontrados na casa de Bin Laden", justifica a retirada dos m O plano detalhado pelo presidente aponta que a volta dos 10 mil homens começa já no mês de julho, e termina até dezembro.

Os outros 23 mil devem voltar até setembro de 2012, enquanto o retorno total dos cerca de 100 mil soldados americanos no país deve ser completado até 2014 --quando a segurança será entregue integralmente ao governo afegão.

O presidente disse ainda que uma conferência de todos os membros da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) será realizada em maio de 2012 em Chicago, para acertar o fim das operaçõesde todos os aliados no Afeganistão.

A decisão de Obama atende às demandas do Congresso --que rejeita os custos de até US$ 10 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões) por mês com as operações-- e da opinião pública, insatisfeita após dez anos de uma guerra impopular que já causou a morte de muitos jovens americanos.

No entanto, a decisão frustra o Pentágono, assim como outras alas no Congresso, que preocupam-se com os reflexos de segurança após uma retirada muito rápida.
O secretário de Defesa, Robert Gates, defendeu recentemente uma redução mais lenta, e manifestou a vontade de que os cerca de 33 mil ficassem em solo afegão ao menos até o fim do prazo, em 2012.

Os chefes do Pentágono temem que uma desocupação rápida demais reverta os avanços obtidos pelos EUA contra a insurgência do Taleban no Afeganistão, que atualmente tem grande força.
O estado das finanças americanas também é um fator considerável no atual cenário do país. Mais cedo nesta quarta-feira, Ben Bernanke, presidente do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA), confirmou que a economia se recupera de forma mais lenta do que o esperado.

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