O Partido Democrata começou a conquistar espaço no Congresso dos Estados Unidos durante as eleições de meio de mandato realizadas nesta terça-feira (3) e já conseguiu uma virada importante na disputa pelo Senado. O ex-governador Roy Cooper venceu na Carolina do Norte e tomou uma cadeira que era ocupada por um republicano, em um dos primeiros resultados de maior impacto para o presidente Donald Trump.
A eleição, conhecida como midterms, renova todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, aproximadamente um terço do Senado e 36 governos estaduais. O resultado é considerado decisivo para o restante do mandato de Trump, que tenta preservar a maioria republicana nas duas Casas do Congresso.
Além da vitória de Cooper, os democratas tiveram resultados favoráveis em outras disputas. Na Geórgia, o senador Jon Ossoff conquistou a reeleição, enquanto candidatos do partido também venceram ou tiveram vitórias projetadas em estados como Delaware, Illinois, Massachusetts, Nova Jersey e Rhode Island.
Na Carolina do Norte, a vitória de Cooper representa uma mudança importante no cenário político estadual. Segundo a BBC News, a última vez que os democratas haviam conquistado uma eleição para o Senado no estado foi em 2008.
DISPUTAS ACIRRADAS
Na Flórida, a republicana Ashley Moody foi reeleita senadora. Com 96% dos votos apurados, ela tinha 50,8%, contra a candidata democrata Angie Nixon, que aparecia com aproximadamente 49%.
Já no Texas, tradicional reduto republicano, a disputa pelo Senado chamou atenção pela possibilidade de vitória democrata. O candidato James Talarico enfrentava o republicano Ken Paxton em uma das campanhas mais acompanhadas da eleição.
No Alasca, a democrata Mary Peltola também aparecia competitiva contra o senador republicano Dan Sullivan. O aumento do custo de vida no estado, associado ao encarecimento do diesel e do transporte de mercadorias, entrou no centro do debate eleitoral.
A apuração nesses estados ainda estava em andamento nos balanços divulgados durante a noite.
O QUE ESTÁ EM JOGO PARA TRUMP
Antes da eleição, os republicanos controlavam as duas Casas do Congresso. A manutenção dessa maioria é importante para Trump conseguir aprovar projetos e avançar com a agenda do governo durante a segunda metade do mandato.
Na Câmara dos Representantes, são necessárias 218 cadeiras para conquistar a maioria. No Senado, o número é de 51, embora os republicanos possam manter o controle com 50 votos, considerando o poder de desempate do vice-presidente JD Vance.
Uma eventual conquista da Câmara pelos democratas permitiria à oposição controlar comissões, convocar integrantes do governo, solicitar documentos e abrir investigações sobre a administração Trump.
No Senado, uma mudança de maioria poderia dificultar a aprovação de indicações presidenciais para cargos importantes, incluindo postos no Judiciário e na administração federal.
APURAÇÃO PODE DEMORAR
Apesar dos primeiros resultados, a definição do controle do Congresso pode levar mais tempo. Nas eleições de 2022 e 2024, a composição final da Câmara dos Representantes só foi definida oito dias depois da votação.
As urnas foram fechadas gradualmente, conforme o fuso horário de cada estado. No Alasca, a votação estava prevista para terminar às 3h de quarta-feira (4), no horário de Brasília.
O resultado das midterms também deve influenciar as articulações políticas para a eleição presidencial de 2028, quando os partidos começarão a definir os nomes que disputarão a sucessão de Trump.
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