Ao todo, o país sul-americano soma 54 anos sem nenhum caso registrado da doença, que, apesar de ser quase sempre fatal, pode ser prevenida por meio da vacinação. Segundo a OMS, a raiva mata cerca de 60 mil pessoas por ano.
"Estamos orgulhosos de receber esta validação. Ela representa os resultados de um trabalho que foi plantado e nutrido ao longo de muitos anos por meio das políticas públicas do Chile para erradicar a raiva, incluindo a vacinação de animais de estimação e a profilaxia pós-exposição para pessoas em risco", disse a ministra da Saúde do Chile, May Chomalí.
O vírus da raiva segue presente em todos os continentes, com exceção da Antártida. Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), 95% das mortes humanas ocorrem nas regiões da Ásia e da África, tendo como principais vítimas populações pobres e vulneráveis que vivem em áreas rurais remotas.
Em até 99% dos casos, os cães domésticos são responsáveis pela transmissão do vírus da raiva para humanos. No entanto, a doença pode afetar tanto animais domésticos quanto selvagens. A transmissão para pessoas ocorre por meio de mordidas ou arranhões, geralmente pelo contato com a saliva do animal infectado.
Embora existam vacinas humanas e imunoglobulinas eficazes contra a raiva, elas não estão prontamente disponíveis ou acessíveis para todas as pessoas que precisam. Globalmente, as mortes por raiva são raramente notificadas, e crianças entre 5 e 14 anos estão entre as vítimas mais frequentes.
Para um país receber o reconhecimento da OMS, deve fornecer evidências técnicas rigorosas de interrupção sustentada da transmissão, apoiadas por forte vigilância, diagnóstico laboratorial, vacinação animal, acesso oportuno à profilaxia pós-exposição e preparação para responder a uma possível reintrodução do vírus.
A validação baseia-se em uma avaliação independente do dossiê apresentado pelo país, comparando-o com critérios técnicos internacionalmente acordados. O processo também reflete um compromisso contínuo com a saúde pública, a colaboração intersetorial e a abordagem "Uma Só Saúde".
No caso do Chile, a validação se baseou em décadas de ações coordenadas nas Américas, que tornaram a região líder global na eliminação da raiva transmitida por cães. Desde 1983, os casos humanos de raiva transmitida por cães na região caíram mais de 98%, com apenas alguns casos relatados a cada ano.
(Com Agência Estado)
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