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Justiça Terça-feira, 13 de Outubro de 2026, 17:33 - A | A

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Terça-feira, 13 de Outubro de 2026, 17h:33 - A | A

CASO ZAMPIERI

Justiça mantém prisão de suspeito de encomendar assassinato de advogado

Juiz adiou análise de pedidos da defesa até que todos os acusados tenham acesso às provas digitais do processo, após falhas técnicas em discos rígidos

ANDRÉ ALVES
Da Redação

Reprodução

Fazendeiro preso em Cuiabá caso Zampieri

O juiz André Barbosa Guanaes Simões, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, manteve a prisão preventiva do produtor rural Aníbal Manoel Laurindo, apontado como o suposto mandante do assassinato do advogado Roberto Zampieri em dezembro de 2023 na capital. A decisão, desta sexta-feira (9), também adiou a análise de seus pedidos de acesso a provas para após a disponibilização integral do acervo digital do processo.

De acordo com a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Aníbal e sua esposa, Elenice Ballarotti Laurindo, teriam contratado o Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos (C4), uma possível agência de espionagem, homicídios por encomenda e blindagens de mandantes dos crimes para executar o advogado. A motivação do assassinato estaria relacionada a uma disputa patrimonial envolvendo uma fazenda avaliada em cerca de R$ 100 milhões. Ao todo, nove pessoas foram denunciadas por participação na estrutura criminosa.

Em petição protocolada nos autos, a defesa do réu apontou a ausência de acesso completo às provas que fundamentaram a investigação e a persecução penal. O magistrado observou que os pedidos defensivos envolvem elementos diversos, como provas preexistentes, dados de cadeia de custódia e eventuais pedidos de novas provas e que, por esse motivo, reteve a deliberação.

Com o problema técnico verificado nas mídias acauteladas em juízo, no qual um dos discos rígidos apresentou falha de leitura e outro não teve a verificação de hash concluída, a Justiça determinou a expedição de ofício à Polícia Federal para o envio de nova mídia íntegra, seguida do encaminhamento dos dados à Politec-MT para extração e disponibilização do acervo em nuvem a todos os acusados. Somente após essa liberação, a defesa poderá apontar eventuais pendências.

Ao realizar o controle periódico da custódia cautelar, o magistrado decidiu manter a prisão preventiva do réu. "Os elementos investigativos indicam, em tese, que Aníbal teria atuado na encomenda do homicídio de Roberto Zampieri, em contexto relacionado a disputa judicial envolvendo terras no Estado de Mato Grosso e no qual se investiga atuação articulada de diversos agentes", registrou a decisão.

A decisão afastou a tese de excesso de prazo ou ilegalidade da prisão diante das intercorrências técnicas com as mídias digitais, destacando a complexidade do feito e a ausência de paralisação estatal injustificada. Com isso, o magistrado indeferiu a aplicação de medidas cautelares alternativas.

“As medidas previstas no art. 319 do CPP permanecem insuficientes diante das circunstâncias concretamente atribuídas ao acusado" e que "a circunstância de corréus responderem sob regime menos gravoso não conduz à extensão automática do mesmo tratamento, pois o regime cautelar deve ser individualizado segundo a posição atribuída a cada agente e a intensidade do risco reconhecido”, finalizou.

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