Justiça Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011, 16:24 - A | A

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EXPECTATIVA

Júri da 'chacina em Matupá vai acontecer na próxima terça

Serão julgados quatro acusados do crime que comoveu o mundo; os outros 14 serão vão para julgamentos nos próximos dias

DA REDAÇÃO

Arquivo

Na próxima terça-feira (4) vai acontecer o júri popular sobre a chacina em Matupá (a 720 km de Cuiabá). O crime aconteceu há 21 anos, mas a crueldade, violência e barbárie utilizados no momento do crime ainda são lembrados. Do total de 18 acusados neste primeiro júri, apenas quatro serão julgados. São eles: Vademir Pereira Bueno, Alcindo Mayer, Arlindo Capitani e Santo Caioni. Os outros 14 acusados vão se submeter ao júri nos dias 10, 17 e 24 de outubro.

Consta na denúncia do Ministério Público, que a chacina ocorreu no dia 23 de novembro de 1990, após um roubo frustrado. Na ocasião, os assaltantes Osvaldo José Bachmann e os irmãos Arci e Ivanir Garcia dos Santos permaneceram por mais de 15 horas no interior de uma residência localizada no município. Após serem detidos, os policiais militares não conseguiram impedir que a população tivesse acesso aos acusados.

“A escolta policial que tinha o dever de assegurar a integridade dos presos não conseguiu impedir que estes fossem entregues à população que, com requintes de crueldade, efetuou disparos de arma de fogo, desferiu pauladas e chutes, e posteriormente, ateou fogo sobre as vítimas que ainda estavam vivas”, ressaltou a promotora de Justiça que atua no caso, Daniele Crema da Rocha.

As cenas da execução das vítimas, filmadas por um cinegrafista amador, foram amplamente divulgadas, inclusive por veículos internacionais. Por meio dessas imagens, foi possível, durante o inquérito policial, identificar 18 autores dos crimes.

Consta no processo que, “na época dos fatos, a revista Veja noticiou que 'depois de duas semanas de guerra no Golfo Pérsico, a CNN ainda não exibiu nenhuma cena de barbárie igual à registrada por um cinegrafista amador da cidade de Matupá. Três assaltantes rendidos e algemados foram massacrados pela multidão - que, entre gritos e aplausos, jogou gasolina nos assaltantes e queimou-os até a morte".

Na ocasião, houve até mesmo um pedido de intervenção federal no Estado de Mato Grosso feito pelo procurador da República Aristides Junqueira. “Tais fatos repercutiram negativamente sobre a cidade e sua população até hoje traz o estigma de ter sediado um dos crimes mais graves do país, sendo a decisão dos jurados essencial para que esta imagem negativa seja revertida”, ressaltou a promotora de Justiça.

O juiz Tiago Souza Nogueira de Abreu, que vai conduzir o julgamento, foi procurado pela reportagem, mas estava em outra cidade e não atendeu as ligações. (Com Assessoria)

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