11h51 - O investigador Gilson André Cardoso de Alcântara, outra testemunha ouvida, afirmou que o réu tentou limpar o local, mas ainda era possível visualizar claramente manchas de sangue. O ambiente encontrava-se sem móveis, indicando esforço para ocultar evidências. Ao relatar as condições em que o corpo foi localizado, destacou a dificuldade de acesso ao ponto onde a vítima foi abandonada: "Foi arremessada. Bombeiro teve que ir para retirar o corpo. Local de difícil visualização", afirmou.
O depoimento revelou ainda que a vítima apresentava cortes profundos no pescoço, tendo sido degolada, e que uma corrente com cadeado estava presa à região cervical. O corpo exibia diversas escoriações, atribuídas ao arrastamento por 400 metros até a valeta no Parque Florestal.
Irmão da vítima diz que encontrou o corpo em valeta “todo rasgado”
11h20 - Bruno de Oliveira Rabuka, irmão da vítima Bruna de Oliveira, em depoimento por videoconferência, disse que recebeu uma ligação de um conhecido informando que a irmã havia passado a noite com o acusado e que este havia saído e retornado em condições suspeitas. Preocupado, dirigiu-se com o padrasto a quitinete da irmã.
Ao chegar ao local, encontrou a porta escorada, muito sangue, extremamente sujo e sem móveis, indicando que uma mudança apressada havia sido realizada naquela manhã. Sem obter informações de moradores locais, Bruno procurou a delegacia e comunicou os fatos ao delegado plantonista.
Na delegacia, foi orientado a verificar se havia áreas de mata próximas. Acompanhado do padrasto, seguiu até o Parque Florestal, onde, após cerca de 40 minutos de buscas, localizou o corpo da irmã em uma valeta de aproximadamente dois metros de profundidade. O acesso era de difícil alcance, e somente marcas visíveis de sangue permitiram avistar o corpo. "O corpo dela estava todo rasgado", declarou Bruno. Após o trabalho do Instituto Médico Legal, não foi mais autorizada aproximação ao local.
Câmeras de igreja mostraram o réu arrastando o corpo da vítima preso por uma corrente
10h40 - O primeiro depoimento foi do investigador Reuber Mario Sá Gallio, da Polícia Judiciária Civil. Ele detalhou que o crime ocorreu na madrugada do dia 3 de junho de 2024, mas ele só chegou à cena após o atendimento inicial da equipe de plantão. O corpo da vítima foi localizado pelo irmão dela, Bruno de Oliveira, em uma valeta de difícil acesso às margens da mata do Parque Florestal.
De acordo com Gallio, a investigação revelou que o réu teria se desentendido com Bruna por causa da recusa dela em vender um ventilador novo. Conforme relato atribuído ao suspeito durante o inquérito, após a discussão ele estrangulou a vítima e, em seguida, cortou seu pescoço com uma faca. O investigador acrescentou que o casal mantinha relacionamento há aproximadamente dois meses, segundo informações do irmão da vítima. Garrafas de cerveja vazias foram encontradas no local dos fatos.
As imagens de câmeras de segurança de uma igreja foram fundamentais para esclarecer a dinâmica do crime. Elas mostraram o réu arrastando o corpo da vítima preso por uma corrente por cerca de 400 metros em linha reta até abandoná-lo próximo ao Parque Florestal. A motocicleta utilizada no transporte foi identificada por meio da placa após relato de um vizinho em Sinop, que viu o suspeito deixar a residência de um tio na garupa de uma moto com uma mochila, sem retornar posteriormente.
O rastreamento do veículo indicou passagem pelo pedágio de Lucas do Rio Verde, mas não chegada a Nova Mutum. Com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e análise de inteligência, a equipe descobriu que o suspeito estava escondido em Nova Maringá, onde foi preso na casa de uma prima. Reuber também informou que a vítima possuía registro anterior por posse de drogas, mas não havia indícios de ligação com facções criminosas. O réu trabalhava em uma empresa de venda de mármore, cuja direção confirmou sua ausência no dia do crime.
Começa Tribunal do Júri do feminicida que arrastou corpo da namorada pelas ruas
O Tribunal do Júri da Comarca de Sinop (500 km de Cuiabá) realiza nesta terça-feira (27), a partir das 8h30, o julgamento de Wellington Honorato dos Santos, acusado de homicídio qualificado contra Bruna de Oliveira, de 24 anos, além dos crimes de destruição, subtração e ocultação de cadáver. O caso, ocorrido em 3 de junho de 2024, ganhou notoriedade na região após a vítima ter sido morta em uma discussão relacionada à venda de um ventilador.
A sessão será presidida pelo juiz Walter Tomaz da Costa, titular da 3ª Vara Criminal de Sinop.
Conforme denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), após matar Bruna, o réu arrastou o corpo com correntes acopladas a uma moto até uma área afastada da cidade, onde o abandonou em uma vala. Wellington foi preso no dia seguinte em Nova Maringá e confessou a autoria do crime. Sua defesa é feita pelo advogado João Francisco de Assis Neto.
O julgamento seguirá o rito tradicional do Tribunal do Júri: após a preparação dos sete jurados sorteados, serão ouvidas cinco testemunhas de acusação e uma de defesa, seguidas do interrogatório do réu. Em seguida, ocorrerão os debates orais entre acusação e defesa, com direito a réplica e tréplica. Por fim, os jurados deliberarão em votação secreta sobre materialidade, autoria e condenação, decidindo por maioria simples. Caberá ao juiz-presidente proferir a sentença com base na decisão do Conselho de Sentença.
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