A advogada Tatiana Villar Prudêncio pediu a inclusão do crime de ameaça na potencial decisão de pronúncia de Nauder Júnior Alves de Andrade. Memoriais finais foram apresentados à Justiça na terça-feira (14). A defensora da vítima questionou o pedido de absolvição sumária do Ministério Público com relação ao delito de ameaça e pediu a retificação da peça. No documento, a jurista também revelou que nem mesmo a ex-namorada do réu se propôs a testemunhar favorávelmente a ele.
Nauder Júnior Alves de Andrade é acusado de ter tentado matar a namorada com uma barra de ferro em agosto deste ano, no bairro Morada do Ouro, em Cuiabá. Nos memoriais finais, a advogada da mulher destacou que as pancadas atingiram braços, pernas e cabeça da vítima.
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"Se desferir vários golpes com uma barra de ferro deste tamanho, peso e grossura, contra a vítima, nas pernas, braços e cabeça, só não atingindo o crânio porque a vítima conseguiu segurar o denunciado não for com intenção de matar, o que mais será?", questiona.
A advogada também refutou a tese de Nauder de que no dia dos fatos, a vítima era quem teria feito uso de cocaína. Tatiana Villar descreveu que a mulher manteve um relacionamento de 12 anos com o agressor, mesmo diante de seu vício nas drogas, acreditando que poderia mudá-lo com sua insistência e amor.
No dia, segundo a vítima, as agressões começaram porque ela questionou Nauder sobre a recaída nas drogas e negou manter relações sexuais com ele.
"O denunciado teve uma postura horrível em seu depoimento, mentindo descaradamente, atribuindo à vítima a responsabilidade por suas agressões, taxando-a como uma mulher desprovida de boa conduta e reputação e acusando-a levianamente de ela fazer uso de entorpecentes. Sim, por mais absurdo que possa parecer, foi esta a postura do réu (...)", escreveu.
Villar apresentou ainda mensagem de uma ex-namorada de Nauder que se recusou a prestar depoimento em favor dele. "(...) [sic] já disse q não vou participar já estou me sentindo mal com tudo isso vou acabar indo nessa audiência e dizendo ao certo quem foi esse rapaz na minha vida até hj não consigo ter relação com outra pessoa por conta dele", diz a mensagem.
"Ou seja, sem sombra de dúvidas que o réu não é flor que se cheire com mulheres e a tal ex namorada, conforme mensagem acima, corrobora isso", disparou a advogada.
Se acolhida a pronúcia nos termos requeridos pela defesa, Nauder poderá enfrentar o julgamento popular sob as acusações de feminicídio tentado qualificado por motivo que dificultou a defesa da vítima, motivo fútil e por ameaça.
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