Em caso de vitória, Robson vai repetir o feito de Eder Jofre e Popó, que também ganharam títulos em duas categorias. Eder foi campeão dos galos (1960 a 1965) e dos penas (1973), enquanto Popó ganhou o cinturão dos superpenas (1999 a 2004) e dos leves (2006).
Robson tem um cartel de 21 vitórias, três derrotas e um empate. Em duelos por título, o brasileiro perdeu para o mexicano Oscar Valdez e para o norte-americano Shakur Stevensson, além de empatar com o também mexicano Emmanuel Navarrete. O baiano ainda ganhou e perdeu do americano OShaquie Foster.
O americano Muratalla, de 29 anos, está invicto com 24 vitórias, sendo 17 por nocaute. Sua última luta foi em janeiro, quando venceu o cubano Andy Cruz, por pontos, após 12 assaltos.
CONFIRA A ENTREVISTA QUE ROBSON CONCEIÇÃO CONCEDEU AO ESTADÃO:
Esta será sua sexta luta por título mundial. Você sabia que só Eder Jofre e Popó lutaram mais vezes por cinturão sendo brasileiros?
É uma honra ser lembrado ao lado de nomes como o Galinho de Ouro (Jofre) e do meu conterrâneo tetracampeão mundial (Popó), dois gigantes do boxe brasileiro. Mas, acima de tudo, me sinto feliz por estar escrevendo a minha própria história no boxe profissional, assim como escrevi no boxe olímpico. Cada luta, cada desafio e cada conquista fazem parte dessa caminhada. Espero aproveitar mais essa oportunidade para marcar ainda mais o meu nome na história do boxe brasileiro e mostrar que dedicação, perseverança e fé podem levar um atleta a conquistar grandes sonhos. Ainda tenho muita história para escrever e, se Deus permitir, conquistar novos títulos para o Brasil.
O adversário é um pegador peso-leve. É um problema a mais, afinal as disputas por título anteriores foram como superpena?
O Muratalla é um grande lutador, jovem, invicto e com um alto índice de nocautes. Mas eu também estou muito adaptado à categoria dos leves. Minhas duas últimas lutas já foram nessa divisão, fiz um excelente camp, e meu corpo respondeu muito bem. Acredito que vou chegar ainda mais forte, mais resistente e mais inteiro para esta disputa. Respeito muito o Muratalla e tudo o que ele conquistou até aqui, mas confio plenamente no trabalho que fizemos e estou pronto para buscar mais um título mundial para o Brasil.
Você pretende impor algo de diferente na luta?
Toda luta exige uma estratégia diferente. Estudamos bastante o Muratalla e montamos um plano de luta específico para potencializar os pontos fortes do meu boxe e neutralizar as principais características dele. Tenho experiência e habilidade para fazer os ajustes necessários durante o combate e aproveitar cada oportunidade que surgir. Em uma disputa desse nível, inteligência, disciplina, controle emocional e capacidade de adaptação fazem toda a diferença.
Quais os pontos positivos e negativos de Muratalla?
O Muratalla é um lutador muito forte. Seus principais pontos são a agressividade, a confiança e o poder de golpe. Como todo boxeador que busca pressionar o tempo inteiro, naturalmente acaba oferecendo algumas oportunidades durante a luta. Estudamos essas características com muito cuidado e nos preparamos para neutralizar seus pontos fortes e aproveitar as oportunidades que aparecerem. Tenho certeza de que será uma grande luta para os fãs do boxe.
Você acredita que será seu rival mais difícil?
Já enfrentei alguns dos maiores nomes da história recente do boxe mundial. No boxe olímpico e amador, dividi o ringue com Guillermo Rigondeaux, Vasyl Lomachenko, Lázaro Álvarez, Joe Cordina, Oscar Valdez e Josh Taylor, além de outros grandes atletas da elite internacional. No boxe profissional, enfrentei campeões mundiais como Oscar Valdez, Shakur Stevenson, Emanuel Navarrete e OShaquie Foster. Essa trajetória me deu experiência para competir no mais alto nível. Toda disputa por título mundial exige o máximo de um atleta, independentemente do adversário. O Muratalla merece todo o meu respeito e chega invicto por mérito, mas fiz uma preparação excelente e estou pronto física, técnica e mentalmente para aproveitar essa oportunidade e conquistar mais um título mundial para o Brasil.
Aos 37 anos, como você se analisa técnica e fisicamente?
Hoje sou um atleta muito mais completo. A experiência e a maturidade me fizeram conhecer melhor o meu corpo e entender exatamente o que preciso para chegar no meu melhor. Cuido com muito rigor da minha saúde, da alimentação, da preparação física, da recuperação do meu corpo e, principalmente, da minha mente. Isso me permite competir em alto nível mesmo aos 37 anos.
Na parte técnica, me sinto um privilegiado. Tenho a honra de ser treinado pelo professor Luiz Dórea e de fazer parte da Academia Champion, cercado diariamente por uma equipe de excelência, com profissionais como Luiz Carlos Dórea Jr., Luiz Fernando Menezes, André Piccoli, Cássio Santiago, Raoni Soares, Ronald Reagan, Charles Jr. e Jotair Carvalho, além de atletas de altíssimo nível, como Hebert Conceição, Ronaldo Soldado, Breno Zebim, Jackson Buguinha e Juninho Demolidor.
Essa união faz toda a diferença. Tenho muito orgulho da equipe que construímos. Acredito que estamos vivendo um dos melhores momentos da nossa trajetória e que ainda vamos conquistar grandes feitos juntos. Vamos longe, todos juntos.
O que você evoluiu desde a luta com Oscar Valdez, em 2021, quando disputou o título pela primeira vez?
Evoluí em praticamente todos os aspectos. Passei por grandes lutas, conquistei um título mundial, enfrentei a elite do boxe e aprendi muito em cada combate. Hoje sou um lutador mais maduro, mais completo e muito mais consciente do que preciso fazer dentro do ringue. Conheço melhor o meu corpo, evoluí na preparação física e mental e aprendi a lidar com a pressão que envolve uma disputa de título mundial. Cada experiência, tanto nas vitórias quanto nas derrotas, contribuiu para a minha evolução. Chego para esta luta como um atleta mais preparado e mais consciente do que preciso fazer dentro do ringue.
Em todas as suas lutas por título, você se apresentou muito bem taticamente, ajustando-se muito bem ao adversário. O que pretende fazer diante de Muratalla?
Minha habilidade e capacidade de adaptação sempre foram diferenciais na minha carreira. Contra o Muratalla, não será diferente. Vamos executar o plano de luta, fazer os ajustes necessários durante o combate e aproveitar cada oportunidade. Em uma luta desse nível, os detalhes fazem a diferença. O objetivo é impor o nosso boxe desde o primeiro round e fazer com que ele tenha que se adaptar ao que estivermos apresentando dentro do ringue.
Uma vitória diante de Muratalla vai garantir mais uma disputa por título, desta vez unificado frente ao vencedor de Zepeda e Roach, que lutam na mesma programação de sábado. É uma grande chance para você e para o boxe brasileiro, não?
Sem dúvida é uma grande oportunidade, tanto para mim quanto para o boxe brasileiro. Mas meu foco está totalmente no Muratalla. Aprendi ao longo da carreira que, no boxe, é preciso viver um desafio de cada vez. Primeiro quero conquistar esse cinturão. Depois, se Deus permitir, estarei pronto para buscar a unificação dos títulos e continuar escrevendo a minha história. Representar o Brasil no mais alto nível sempre foi uma missão para mim, desde a conquista da medalha de ouro olímpica, e continua sendo no boxe profissional. Quero dar mais esse presente ao povo brasileiro.
Depois dessa conquista, quero dedicar uma atenção especial ao Instituto Robson Conceição e ao projeto social Nino de Ouro, na minha cidade (Salvador). O objetivo é promover inclusão social por meio do esporte, oferecendo aulas de boxe, transporte, alimentação, acompanhamento nutricional e psicológico para 100 crianças e adolescentes. Acredito que o esporte transforma vidas, cria oportunidades e forma cidadãos. Quero que as próximas gerações tenham oportunidades que muitas vezes eu não tive. Se eu puder inspirar crianças e jovens a acreditarem nos seus sonhos por meio do esporte, esse será um dos maiores títulos da minha vida.
(Com Agência Estado)
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