Era para ser uma coletiva falando da visita do Bayern de Munique ao Eintracht Frankfurt, neste sábado - caso a neve permita que a bola role -, mas o assunto racista acabou em pauta como vem ocorrendo em toda a Europa, desde a terça-feira. E Kompany não se esquivou do assunto.
"É um tema difícil, mas assisti ao jogo e fiquei realmente intrigado. Há dois componentes diferentes na história. Primeiro: o que aconteceu em campo. Segundo: o que aconteceu com os torcedores. E depois, ainda, o que aconteceu depois do jogo (coletiva de Mourinho). E precisamos separá-los", começou o técnico.
"Quando você assiste à jogada em si e como Vini reagiu, esta reação não pode ser um fingimento. Dá para ver que foi uma reação emocional", defendeu o brasileiro. "Não vejo nenhum benefício para ele em ir até o árbitro e colocar toda essa angústia sobre os ombros dele. Naquele momento, Vini viu que era a coisa certa a fazer", seguiu, ressaltando a defesa do companheiro Mbappé. "Kylian Mbappé normalmente se mantém diplomático, mas foi muito claro sobre o que viu e ouviu."
A Uefa ainda avalia o caso antes de uma possível punição, ou não, no qual Prestianni colocou a camisa na boca para esconder sua fúria contra Vini Jr. O brasileiro o acusa de tê-lo chamado de "macaco", o que foi confirmado por Mbappé.
E é justamente a postura do argentino que deixa Kompany irritado. "Há o jogador do Benfica escondendo com a camisa o que estava dizendo. E no estádio, você pode ver que havia pessoas fazendo gestos obscenos, está no vídeo. E, para mim, o que aconteceu depois do jogo é ainda pior. José Mourinho basicamente atacou o caráter de Vini Jr.", detonou.
"Usar o tipo de comemoração do Vini para desacreditar o que ele (Prestianni) estava fazendo naquele momento foi um erro enorme em termos de liderança. Além disso, Mourinho mencionou o nome de Eusébio. Ele disse que o Benfica não pode ser racista porque o melhor jogador de todos os tempos foi Eusébio. Você sabe o que os jogadores negros tiveram que passar nos anos 60? Ele estava lá para viajar com Eusébio em todos os jogos fora de casa e ver o que ele passou? Meu pai é negro e nasceu na década de 60. Usar o nome dele hoje para criticar o Vini Jr.?", reprovou.
Kompany, contudo, evitou maiores atritos com o português. "Para ser honesto, eu não me vejo em muitas das coisas que estão acontecendo hoje, então não quero fazer parte de um grupo ou de outro. Conheci 100 pessoas que trabalharam com José Mourinho e nunca ouvi ninguém dizer nada de ruim sobre ele. Todos os jogadores o adoram. Entendo a pessoa que é, que luta pelo seu clube. Sei que, no fundo, ele é uma boa pessoa e não preciso julgá-lo por isso. Mas também sei o que ouvi e ele cometeu um erro."
(Com Agência Estado)
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