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Esportes Sábado, 01 de Agosto de 2026, 14:30 - A | A

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Sábado, 01 de Agosto de 2026, 14h:30 - A | A

Federações ampliam pressão e cobram transparência após recuo da Fifa em plano comercial da Copa

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

A retirada da proposta da Fifa de abrir as operações comerciais da Copa do Mundo para investidores privados não encerrou a crise nos bastidores do futebol mundial. Nos dias seguintes ao recuo da entidade, federações nacionais e confederações divulgaram notas oficiais cobrando mais transparência, governança e participação das associações nas decisões estratégicas da organização presidida por Gianni Infantino.

A manifestação mais contundente partiu da Concacaf, que representa as 41 associações da América do Norte, Central e Caribe. A confederação elogiou a atuação conjunta de seus filiados e afirmou que eles demonstraram "coragem e unidade" ao defender "os interesses de longo prazo do futebol e os princípios da boa governança".

Na nota, a entidade fez duras críticas à condução da proposta e afirmou que "o futuro da Copa do Mundo da Fifa, o maior patrimônio do futebol mundial, foi levado adiante fora de qualquer estrutura de governança estabelecida, sem transparência, consulta ou devido processo". Para a Concacaf, "uma proposta dessa magnitude não chega a esse estágio por acidente" e representa "um sintoma de uma liderança que deixou de colocar o futebol em primeiro lugar".

A confederação ainda elevou o tom ao afirmar que os problemas não se limitam ao episódio envolvendo a proposta comercial. "Este recente ato unilateral e flagrante de má governança e liderança segue um padrão de equívocos e comportamentos semelhantes. Um amplo acerto de contas com esta presidência é imperativo", destacou. A entidade também reforçou que "a Fifa não é uma empresa privada. É uma instituição que existe em nome do futebol e de seus membros" e defendeu que seus dirigentes sejam responsabilizados quando deixam de cumprir esse compromisso.

Na Europa, a Federação Inglesa (FA) manifestou apoio integral ao posicionamento da Uefa e também cobrou mudanças na condução da entidade máxima do futebol. "É hora de uma revisão completa e robusta da liderança e da governança da Fifa para garantir que o futebol mundial seja administrado com transparência, em benefício de todas as 211 associações nacionais e com o compromisso de preservar o esporte a longo prazo", afirmou um porta-voz da federação.

A Football Australia também celebrou a retirada da proposta, mas ressaltou que projetos de impacto global precisam ser construídos de forma diferente. Em comunicado, a entidade afirmou que "propostas de importância global devem ser desenvolvidas por meio de consultas robustas, processos adequados de governança e um diálogo significativo com as associações-membro antes de serem submetidas à apreciação".

A federação acrescentou que "integridade, independência, boa governança, transparência, consulta efetiva e devido processo não são obstáculos ao progresso. São o que tornam o progresso duradouro possível".

A Federação da Nova Zelândia adotou uma posição semelhante ao informar que a proposta "carece das avaliações independentes de governança, jurídicas e financeiras necessárias para permitir uma análise robusta". A entidade acrescentou que possui "questionamentos e preocupações tanto sobre a proposta quanto sobre a forma como ela foi desenvolvida e apresentada" e concluiu que "não podemos apoiar esta proposta".

Em sentido oposto, a Federação de Futebol do Catar foi uma das poucas a sair em defesa de Gianni Infantino. Em nota assinada pelo presidente da entidade, Sheikh Hamad bin Khalifa bin Ahmed Al Thani, o país declarou que "recebe com satisfação a decisão do presidente da Fifa de retirar a proposta FIFA Forward Enterprise, no interesse da comunidade global do futebol".

Apesar de reconhecer que a iniciativa "tinha mérito", a federação afirmou que "a sabedoria de priorizar a união entre as associações-membro deve ser aplaudida" e reiterou apoio aos esforços de Infantino para "continuar a desenvolver e fortalecer o futebol em nível global".

A Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) adotou posicionamento semelhante. Em comunicado oficial, a entidade afirmou que a retirada da proposta foi uma decisão "sábia", por priorizar "a unidade e a coesão entre as associações-membro da Fifa". A federação também destacou que os avanços obtidos pelos programas de desenvolvimento da entidade, especialmente na África, "representam uma conquista valiosa que deve ser preservada" e reiterou seu apoio a Gianni Infantino e às iniciativas voltadas ao desenvolvimento do futebol mundial.

Outras federações ainda preparam manifestações oficiais, e a tendência é que a discussão sobre transparência, governança e o modelo de gestão da entidade siga ganhando força nas próximas horas.

(Com Agência Estado)

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