Empreendedor Sábado, 02 de Julho de 2011, 13:22 - A | A

Sábado, 02 de Julho de 2011, 13h:22 - A | A

CASE DE SUCESSO

Najeib Kadri, o empresário que tem 2 mil motivos para continuar líder no mercado

Proprietário da Kadri Informática conta como iniciou no mercado e se tornou referência

Em meados da década de 1980, quando a realidade da informação virtual ainda era muito insipiente aos brasileiros, e o computador um artigo do qual ‘só se ouvia falar’, Najeib Kadri decidiu cursar a faculdade de tecnologia de processamento de dados na cidade de Maringá (PR). O curso rápido, com duração de três anos, atraiu os olhos do rapaz pela proposta que ainda se adéqua ao contexto atual: “A área de software era muito promissora, como ainda hoje é”. Najeib estaria mentindo se dissesse ter uma queda pela informática já desde a tenra idade, pois nem acesso a computadores ele tinha e internet sequer existia. “A gente mais ouvia notícias de como era o curso, como se trabalhava. Na época não existia essa inclusão que se tem hoje”, lembra.

No último semestre do curso, Najeib recebeu uma proposta de vir a Cuiabá fazer estágio supervisionado, requisito de sua grade curricular. Com apenas 23 anos ele tomou a decisão de vir para uma cidade que nem conhecia, em pleno calor de agosto do ano de 1988, e no departamento de informática do Grupo Trescinco, Najeib pôs em prática seu aprendizado adquirido na faculdade. A empresa era uma das maiores da época em Mato Grosso, contando com cerca de quarenta funcionários responsáveis apenas pela parte de informatização. “Eu era recém formado, estava louco para ganhar dinheiro”, conta. Passados seis meses ele foi promovido, e três anos depois decidiu prestar serviço a outras empresas.

Fotos: Mayke Toscano/Hipernotícias

VERDADEIRA VOCAÇÃO

Em parceria com Wendell Roberto Meireles, também ex-funcionário do Grupo Trescinco, Najeib fundou a WN Soluções LTDA, no ano de 1992. O espaço físico da WN consistia em uma sala de 40m², localizada na travessa João Dias, no centro, e o trabalho, que em princípio estava voltado apenas para softwares (sistema operacional, dados e programação) acabou ofuscado pelos hardwares (partes físicas do computador). “A área de hardware veio na rabeira do serviço”, lembra o empreendedor. Os clientes, ao adquirir algum serviço, acabavam pedindo por monitor, teclado, instalação de rede. “Crescemos naturalmente, a pedido do cliente”. A expansão do setor fez com que Najeib visualizasse sua verdadeira vocação: a do comércio.

A sala ficava no segundo andar de um prédio comercial que não oferecia estacionamento nem elevadores, a não ser muitos lances de escada. A empresa despendia de muito trabalho, não só administrativo e financeiro como também físico. “Tínhamos que subir e descer computadores de escada”, explica.

Em 1994, Wendell e Najeib decidiram desfazer sociedade. “O meu sócio era mais voltado para a área de serviços, e eu para a de comércio”. Najeib continuou com o espaço, e Wendell abriu uma empresa de serviços.

“KADRI É SOBRENOME, KADRI É GARANTIA”

No mesmo ano, Najeib convida sua irmã Lâmia Kadri, formada também em Maringá, no curso de ciências da computação, para trabalharem juntos. Lâmia até então trabalhava no Cepromat (Centro de Processamento de Dados de Mato Grosso). Do espaço de 40m², os irmão se mudaram para um maior, de 90m², no edifício Nacional Palacius, situado na avenida Isaac Povoas, nº 1251. Apesar de uma estrutura mais ampla, as dificuldades eram as mesmas: sobe e desce de equipamentos pelos dois andares de escadas. Em 18 de janeiro de 1996 foi inaugurada a Kadri & Kadri LTDA, ou Kadri Informática.

A empresa cresceu naturalmente. Najeib conhecia muita gente que mexia com a área de informática, e buscava por seus serviços, mas o bom atendimento e os produtos de qualidade também foram cruciais para o desenvolvimento. Além, é claro, do “boca a boca”.

Em 1999, a Kadri abriu sua primeira loja térreo, sede própria e de recursos próprios, também na avenida Isaac Povoas, nº 950. No ano seguinte, a ousada expansão rendeu à empresa sua primeira filial na cidade de Tangará da Serra. Depois foi Sinop, e agora Campo Grande-MS, além das lojas nos shoppings Pantanal e Três Américas. Nesse meio tempo, decidiram fechar a loja de Tangará da Serra, que não dava prejuízo mas que tinha um faturamento muito baixo, não correspondente à “energia gasta”. “Poderíamos gastar mais energia com uma loja de maior faturamento”, conta Najeib.

O empreendedor confessa que sua aposta foi errada para o momento. “Nós decidimos investir no interior sem antes ter explorado totalmente o mercado da Capital. Analisando friamente, vejo que foi uma decisão precipitada”.

Para marcar presença em Cuiabá, no ano de 2005 a Kadri inaugurou a nova loja, na avenida Rubens de Mendonça. O novo empreendimento, de 3.100 m², também abriga o centro de distribuição e a parte administrativa, como os departamentos de marketing, financeiro, contabilidade e compras. 

CONTEXTO DE MERCADO
 
Najeib conta que no segmento de informática várias empresas lideraram o mercado em Mato Grosso, atuando em diferentes épocas. Empresas que atuaram na época da reserva de mercado, no governo José Sarney, e que só podiam comercializar produtos 100% nacionais, “a importação era caríssima”. Com a abertura e o governo Collor, outra empresa liderou o mercado, aproveitando a queda de preço dos importados e os impostos mais baratos. No entanto, “daquele tempo pra cá, o mercado especializado de informática vêm se reduzindo”, analisa o empreendedor. Um dos motivos, explica Najeib, é a entrada dos magazines e das lojas “ponto com”, encarregadas de vender de tudo. “Então as lojas pequenas, locais, das grandes capitais e cidades menores, foram se encolhendo”.
 
COMPENSAÇÃO
 
Mas é claro que o analista de sistemas não observa às modificações com passividade. Uma das propostas adotadas pela Kadri, com o intuito de reverter a situação, garantir sua sobrevivência e concorrer com grandes empresas, foi começar a oferecer aos clientes não apenas produtos de informática, mas também eletroeletrônicos e tecnologia em geral.

 

Produtos de automação comercial, por exemplo, os magazines não dominam, segundo Najeib. “Uma solução em hardware, impressora fiscal, leitor de código de barras ou balança automatizada o grande magazine não sabe vender”. Para compensar, a Kadri procura fortalecer seu setor de vendas especializadas, assim como produtos do grande magazine: televisões, aparelhos de som, smartphones.
 
Outra vantagem é o apelo popular das grandes lojas, sejam físicas ou virtuais. “Os magazines tendem a comercializar produtos de entrada, acessíveis”. Uma grande loja não vai trabalhar com a linha inteira da Sony, até porque, segundo Najeib, eles não têm condições de suprir tantas lojas com esse estoque. “E a gente tenta vender os produtos que eles não vendem”, pontua. Na Kadri são ofertados tanto notebooks “de entrada” quanto os de maior valor agregado, mais sofisticados. “A gente tem condição de oferecê-los em 100% das nossas lojas”. O empreendedor ressalta que a Kadri é a única loja especializada em Mato Grosso a comercializar produtos da Apple.
 
DIFICULDADES
 
Pouco capital de giro e a falta de credibilidade no mercado – por ser uma empresa nova – foram umas das dificuldades enfrentadas no início de atuação da Kadri. Mas Najeib conta que as dificuldades sempre existem, em todas as etapas do empreendimento. “Essas nós superamos, mas surgem outras no decorrer da história. A maior atualmente é a concorrência dos grandes magazines e lojas ‘ponto com’”. Segundo o empreendedor, o que dificulta são os incentivos concedidos pelo governo no PIS e Cofins na compra de produtos de informática – como notebooks e desktop.

“Os grandes magazines cobiçam muito essa área exatamente pelo crédito que eles têm no PIS e Cofins, e podem descarregar em televisões, geladeiras”. O segmento é muito cobiçado, e o grande desafio agora é sobreviver a esse mercado.
 
NADANDO CONTRA A CORRENTE
 
“Tudo conspira contra o empresário brasileiro. Leis trabalhistas, impostos – tanto municipais quanto estaduais e federais -, os abusos cometidos pela lei do consumidor”. Najeib conta que durante toda a sua jornada de trabalho, ele encontra mil motivos para desistir. Mas ao chegar em casa, e pôr a cabeça no travesseiro, ele encontra dois mil motivos para continuar. “É um desafio. Os clientes reconhecem nosso trabalho, os funcionários reconhecem, a mídia reconhece. Eu tenho 140 funcionários e suas famílias dependendo da gente”, expõe. “E eu encontro forças para continuar”.

Para Najeib Kadri, empreender é: Ter uma idéia e realizar .

 

 

 

 

 

 

1.    Dicas para quem quer iniciar um empreendimento
 
Tem um ditado do mercado com o qual eu me identifico muito: ter braço curto e bolso de palhaço. Com o bolso de palhaço você consegue guardar bastante coisas, e a mão curta vai lhe impossibilitar alcançar isso que conquistou. Ou seja, o que você ganhar, gaste da melhor forma possível, invista da melhor maneira, não jogue dinheiro fora.
 
2.    O Custo Brasil é realmente um obstáculo para o empreendedor?
 
Muito. Cada vez mais. Reforma tributária, trabalhista, impostos, guerra fiscal, tudo conspira contra. Vou dar só um exemplo: se eu tiver um bom vendedor, que ganha x, e eu vou testá-lo como gerente, dou a promoção de gerente, e ele vai passar a ganhar 2x. Só que ele não foi bem como gerente, não sabe lidar com gente, não sabe administrar pessoas, não agüenta a pressão de clientes, funcionários, vendedores, não serve, mas é um bom vendedor. Só que como ele ganhava x e agora ganha 2x, pela lei trabalhista ele não pode voltar a ganhar x, ganhar menos do que ganhava. Então esse vendedor bom, gerente ruim, vai ter que ser mandado embora. Essas coisas engessadas atrapalham.
 
3.    O que é mais importante: dinheiro ou criatividade?

Criatividade é um dom. Se a pessoa é criativa, ótimo, se é criativa e tem dinheiro, melhor ainda. Dinheiro é uma conseqüência. Você pode ter dinheiro fruto do seu trabalho, herança, etc. É difícil mensurar essas coisas. Se for pra escolher, eu gostaria de ser criativo e com dinheiro.

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