Empreendedor Sábado, 09 de Julho de 2011, 13:46 - A | A

Sábado, 09 de Julho de 2011, 13h:46 - A | A

CASE DE SUCESSO

Bigolin, nome de empresa famíliar tradicional e inovadora

Voltada para o segmento de material de construção e acabamento, Bigolin é uma das líderes de mercado em Mato Grosso

Empresa familiar que tem como tradição ser inovadora, a Bigolin desde o início se fez ousada e criativa, tanto no âmbito empresarial quanto profissional, social e político. A construção, em 1991, da loja em Cuiabá foi exemplo disso: um campo de obras grandioso e serviços que até então o Estado não possuía.

Os sete filhos homens de Alcides e Emilia Bigolin, agricultores de origem italiana, antes de se tornarem fortes em materiais para construção nos estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso, eram comerciantes em potencial. Em 1976 fundaram a primeira loja, em São Domingos (SC), que vendia eletrodomésticos, ferragens, ferramentas e materiais para construção. Adquiriram também uma rádio e uma grande área de terra em Sapezal (MT).

Olivo Bigolin foi o primeiro a vir para Mato Grosso, onde iniciou com algumas fazendas. Formado em engenharia civil, e já com experiência em comércio, o empreendedor observou que havia um grande vazio na oferta de materiais para construção civil e decidiu abrir, junto aos irmãos, no ano de 1986, a primeira grande loja de materiais para construção em Mato Grosso, na cidade de Tangará da Serra.

Mayke Toscano/Hipernotícias

RUMO AO PROGRESSO

Cuiabá foi uma cidade que, junto ao projeto econômico no Oeste do País, prometia crescer muito. Com o intuito de desfrutar dessa boa maré, os irmãos Bigolin decidiram abrir uma loja que tivesse porte adequado para atender à futura demanda. Em 1991 foi inaugurada a Bigolin Cuiabá, na Avenida Carmindo de Campos, bairro Jardim Petrópolis.

O empreendimento, ainda em construção, já atraía olhares dos curiosos. A esposa de Olivo, Lucimar Bigolin, afirma que a vinda da Bigolin para Cuiabá, fomentou o segmento. “Era a maior loja de materiais para construção da época”, lembra.

As pessoas se admiravam com a grande estrutura e a gama de materiais. A Bigolin já era forte em acabamentos, e os clientes que não conheciam a empresa ficavam surpresos, pois muitos deles iam a São Paulo comprar produtos que a loja de Cuiabá já oferecia. “Tínhamos toda a linha de uma Portobelo, uma Ceusa, uma Eliane. É uma tradição da Bigolin trabalhar com o acabamento”, diz Lucimar.

Segundo a diretora, durante cerca de 12 anos o grande consumo de materiais para construção recaia na Capital e a Bigolin atendia a toda essa demanda. “Ainda atende, mas agora em menor escala. As lojas se modernizaram, houve um maior acesso ao que existe no mercado de ponta e os clientes começaram a optar pelas lojas do interior”.

Mayke Toscano/Hipernotícias

QUASE OBRA DE ARTE

Mas isso não significa que a empresa perdeu seu potencial, apenas aprimorou o diferencial. A proposta da Bigolin, desde o princípio, consiste em oferecer não apenas produtos que são necessidade básica ao consumidor, como também os que são de vontade deles. Da mais complexa requisição ao mínimo detalhe, a tonalidade em um acabamento. “Desde o início quisemos fornecer soluções em materiais de construção. E ir além do material”, conta Lucimar.

Para isso, a empresa criou o espaço Bigolin Prime, anexo às lojas Bigolin, e especializado em atender aos clientes que não se contentam com mero piso de porcelanato. “A Bigolin Prime oferecer uma variação muito grande, principalmente em acabamentos para personalizar as casas. O cliente tem uma casa única, que atende aos seus gostos em particular”, explica Lucimar.

PITACOS DE ESPECIALISTA

Quando uma pessoa constrói ou reforma, ela precisa ter todo o aparato para que isso aconteça “nos conformes”. Tendo como valor “inovar sempre”, a Bigolin oferece aos clientes o serviço de consultoria em design de interiores, gratuito, com profissionais habilitados para pesquisar e levantar as necessidades do cliente e planejar as mudanças de acordo com a estrutura do imóvel, sua localização, o contexto social e legal do uso e o respeito ao meio ambiente.

Todo ano, a empresa oferece um grande evento aos arquitetos, designers de interiores e engenheiros com palestras técnicas que abordam as tendências, o mercado, novidades em produtos, concepção de projetos e arquitetura atual. Mas a iniciativa não é recente.

Segundo Lucimar, o primeiro encontro de arquitetos em Mato Grosso, realizado em 95, foi promovido pela Bigolin, através de Olivo. “Foi um sucesso. Os arquitetos do Mato Grosso nunca haviam se reunido. Era muita gente de fora, naquela época não devia haver turmas formadas em Cuiabá”.

FAMÍLIA É FAMÍLIA, NEGÓCIOS A PARTE

Em 1994 houve uma cisão profissional entre os irmãos. Segundo Lucimar, “cada um buscou a região que mais se identificava”. Três irmãos ficaram com a empresa de Tangará da Serra, sendo um agrônomo, um engenheiro civil e outro administrador de empresas. Olivo ficou com a loja de Cuiabá. “As empresas familiares, ao chegar num momento, se dividem. É natural isso”, pontua Lucimar. Por ser sobrenome, todo mundo trabalha com o mesmo nome fantasia. O que muda é a razão social. “Em Santa Catarina também tem uma Bigolin, administrada por um grupo, que comercializa materiais para construção. Aqui em Mato Grosso são dois grupos que administram”.

Como terceira maior cidade do estado, Rondonópolis foi escolhida por Olivo, em 2006, para receber uma loja. O impacto foi o mesmo que na Capital.

SONHO E REALIDADE

O empreendedor idealiza expandir o número de lojas, e marcar presença em outros estados, mas devido a um problema de saúde, Olivo se encontra afastado da empresa desde 2009. Lucimar, que acompanha a trajetória da empresa “desde o primeiro tijolo”, antes do afastamento do esposo exercia função administrativa. Lucimar e Olivo se casaram 1987, e têm dois filhos: Ariane, de 20 anos, que faz faculdade de arquitetura, e Felipe, de 22 anos, que faz engenharia civil. Lucimar é formada em ciências contábeis.

Arquivo Pessoal

MATEMÁTICA DO SUCESSO

A Bigolin hoje possui mais de 600 fornecedores cadastrados, sendo 390 ativos. Dentro da particularidade dos acabamentos, existem muitos materiais produzidos por pequenas empresas, produtos artesanais, únicos, que possibilitam ao cliente a escolha das cores e desenho. Sob encomenda. Fora isso, existem também materiais para construção em geral, que contam com as maiores marcas do Brasil.

Funcionários diretos contabilizam 110, mas vários setores da empresa são terceirizados: a parte de entrega, limpeza, vigilância e os promotores de venda.

KNOW HOW

Dificuldades existem para todos, e segundo Lucimar, o que um empresário precisa ter é persistência e perspicácia para lidar com os obstáculos. “As empresas brasileiras são criadas e fomentadas pelo povo mais empreendedor, que é o brasileiro. Mas dentro dessa temática nós temos a carga tributária mais feroz do planeta. Ela é o meu sócio majoritário”. A empreendedora explica que para se manter no mercado é preciso muita capacidade e forte administração. “Um fator muito importante é conhecer muito com o que se trabalha e esse know how a gente tem. Se não tivéssemos, dificilmente teríamos conseguido crescer e se estabelecer”.

Em parceria à Bigolin, “não como uma loja anexa mas uma loja afim”, Olivo iniciou as atividades da Égide Construtora. “Olivo é engenheiro e sempre atuou na área de construção. E a empresa continua, mesmo com sua ausência temporária”, diz Lucimar. A Égide faz construções em cidades de Mato Grosso como Lucas do Rio Verde, Primavera do Leste, Rondonópolis.

CONCORRÊNCIA ESTIMULA COMPETÊNCIA

“Quando você abre uma grande loja, bonita e muito bem montada, você provoca o mercado. E o mercado como um todo melhora. A concorrência é um grande estimulador da Bigolin, nos faz movimentar, mudar a fachada, repaginar o design da loja. E todo concorrente é assim. Quando a Bigolin se instalou em Rondonópolis, quem tinha lojas passou a reformá-las, melhorá-las”.

COPA 2014

Lucimar vê que há um atraso significativo no que se refere às construções para receber a Copa de 2014. Quanto ao aquecimento do mercado varejista da construção civil, “que é do pequeno consumidor, que constrói e reforma suas casas”, não haverá influências diretas. Mas as mudanças não vão passar batidas para ninguém. “As grandes obras, os anéis viários, rodovias e a própria arena não beneficiam o mercado de varejo, uma vez que negociam diretamente com as indústrias. Porém, quando você abre uma avenida grande em frente à sua casa ou comércio, você melhora. A cidade toda vai mudar. Principalmente onde passarem essas obras. E é em torno dessas obras que o mercado vai ser aquecido”, finaliza.

Para Lucimar Bigolin, empreender é: Vencer

1. Dicas para quem quer iniciar um empreendimento

Procurar conhecer o mercado daquilo que se quer atuar. Conhecer o mercado em potencial, procurar saber se existe mão de obra para o negócio que se quer fazer, e ter um capital de giro inicial que aguente o primeiro período, que é o mais difícil.

2. O Custo Brasil é realmente um obstáculo para o empreendedor?

É um grande obstáculo. Só não é um total empecilho porque nós brasileiros somos muito corajosas. Se a gente parar para pensar no que ocorre com esse Custo, se torna desencorajador empreender.

3. O que é mais importante: dinheiro ou criatividade?

Ambos são importantes. Com a criatividade você consegue dinheiro, e se você tiver dinheiro mas não tiver criatividade, você compra a criatividade de alguém.

4. O que é mais difícil: fidelizar um cliente ou conquistar um novo?

Fidelizar, sem dúvidas. Fidelizar é mais difícil. Você tem que acertar sempre.

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