Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu de 13,561%, no ajuste anterior, a 13,550%. O DI para janeiro de 2029 anotou baixa a 13,83%, vindo de 13,861%, e o para janeiro de 2031 caiu de 14,015% a 13,925%. No cômputo semanal, a curva a termo teve ligeira perda de inclinação, com a ponta curta e o miolo praticamente estáveis e recuo ao redor de 7 pontos-base no trecho longo.
Principal detrator das curvas de juros globais desde o início da guerra no Oriente Médio, o petróleo deu um dia de alívio aos ativos nesta sexta-feira. A commodity energética chegou a acelerar o ritmo de queda para 3% ao longo da tarde, em meio a relatos de que Washington e Teerã avançaram no diálogo e há na mesa a possibilidade de que o Estreito de Ormuz seja reaberto em um prazo de sete dias.
No fechamento da sessão regular, o barril do Brent para dezembro, que serve de referência para a Petrobras, caiu 2,77%, voltando a ficar abaixo do patamar psicológico de US$ 100 (US$ 97,44). O movimento foi acompanhado pelos vencimentos de 2 e 10 anos dos Treasuries, enquanto o título de 30 anos manteve leve alta, mas longe da máxima intradiária de 5,534%.
Para o diretor de investimentos da Azimut Brasil, Marco Mecchi, embora o ambiente global tenha contribuído com a redução dos prêmios dos DIs hoje, é possível afirmar que o mercado local de renda fixa tem mostrado correlação menor com o que acontece lá fora. Isso ocorre, em sua visão, devido a forças mais voltadas ao quadro interno, com destaque para as eleições no período recente.
"Apesar de todos os ruídos vistos no cenário eleitoral, e também de medidas do governo como o aumento do Bolsa Família e a proibição de bets, temos observado uma consistência grande nas pesquisas no sentido de alternância de poder, e isso tem afetado os juros", diz Mecchi, referindo-se ao reajuste de 15% anunciado recentemente no valor do benefício, e à Medida Provisória que visa proibir plataformas de aposta no Brasil, prevista o início da noite, em São Paulo. "Na margem, o Flávio subiu nos trackings. Os dois Flávio e Lula estão colados", apontou.
Um estrategista de uma grande instituição afirmou ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), em relação aos acompanhamentos do mercado para a corrida eleitoral, que "está tudo meio parado, mas na média e Flávio está um pouco na frente", o que tem justificado o viés aplicador de fundos e tesourarias. Na leitura de parte do mercado, uma vitória da direita eleva as chances de uma consolidação fiscal mais austera em 2027, o que não deve ocorrer caso Lula seja reeleito.
Do lado dos dados, a alta de 0,70% do IPCA-15 este mês, divulgada na abertura dos negócios, superou o teto das estimativas do Projeções Broadcast, de 0,66%, mas provocou um repique apenas pontual nas taxas. As maiores surpresas altistas vieram em itens voláteis, como alimentação e energia, ao passo que núcleos e serviços seguiram pressionados, mas sem assustar.
(Com Agência Estado)
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