"Na segunda-feira, o diretor do Fed Christopher Waller colocou efetivamente um aumento dos juros na mesa caso o núcleo da inflação viesse forte. Na terça-feira, o relatório do CPI respondeu: não há calor, não há espiral de preços, não há argumento para aperto", escreveu Navarro, em artigo para o RealClear Markets.
Segundo ele, a queda dos preços em junho e a estabilidade no núcleo do CPI são sinais para o BC americano "parar" e repensar a trajetória da política monetária, considerando que o "choque estagflacionário dos preços de energia já faz a maior parte do trabalho de contração" de um aperto monetário. "O choque taxa os consumidores, corta salários reais, drena o poder de compra e desacelera a demanda sem qualquer ajudar do Fed", frisou.
Navarro defendeu que a "disciplina, paciência e análise dos dados" é a estratégia certa e que cortes de juros não podem ser desconsiderados. Na visão dele, é preciso monitorar a transmissão dos custos de energia para transportes, logística, distribuição de alimentos, entre outros.
Mas o conselheiro afirmou que parece haver uma desinflação generalizada, ainda que existem focos de inflação alta, como no preço da carne bovina, leite, enquanto citou que o alface e o tomate seguiram em patamares elevados ao longo do ano.
"Nenhum analista sério deveria fingir que todos os problemas de preços para as famílias desapareceram. Mas a tendência é inegável. A inflação está arrefecendo, e essa arrefecimento se reflete em categorias importantes para as famílias trabalhadoras: gasolina, carros, seguro de automóvel, assistência médica e medicamentos", pontuou.
Na interpretação de Navarro, um aumento prematuro da taxa de juros pelo Fed não seria apenas desnecessário, mas perverso. "Isso penalizaria os trabalhadores justamente quando o alívio da inflação começa a aparecer em seus contracheques", escreveu o conselheiro, destacando ainda que o relatório do CPI também refuta o pânico em relação à inflação causada pelas tarifas.
(Com Agência Estado)
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