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Variedades Terça-feira, 14 de Julho de 2026, 15:38 - A | A

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Terça-feira, 14 de Julho de 2026, 15h:38 - A | A

CONSUMO RECREATIVO

Luana Piovani revela uso diário de maconha e especialistas alertam para riscos à saúde

Médicos destacam que o consumo prolongado da cannabis pode causar dependência, alterações cognitivas, problemas cardíacos e lesões nas vias aéreas, mesmo sem sintomas aparentes

METRÓPOLES

A atriz Luana Piovani gerou debate nas redes sociais recentemente ao afirmar nas redes sociais que fuma maconha há mais de 30 anos, mas que não é viciada. Especialistas alertaram para as consequências que o uso prolongado da cannabis pode causar no organismo.

A treta começou depois que a atriz de 49 anos afirmou que usa maconha “todo dia” nas últimas três décadas. “Eu fumo há mais de 30 anos. Experimento todo dia. Nuna vicei”, afirmou Luana Piovani.

Alerta
Segundo médicos, embora o uso medicinal da planta tenha ganhado espaço nos últimos anos, o consumo recreativo da maconha pode causar impactos significativos na saúde física e mental.

Os efeitos variam de acordo com fatores como predisposição genética, quantidade consumida, idade de início e frequência. Segundo especialistas, porém, há consenso na comunidade científica de que o consumo diário aumenta os riscos de alterações cognitivas, transtornos psiquiátricos, doenças cardiovasculares e até alguns tipos de câncer relacionados à exposição constante à fumaça.

Segundo a psiquiatra Juliane de Paula, mestre em Ciências da Saúde pela FMABC-SP, o fato de uma pessoa utilizar maconha há muitos anos sem apresentar complicações evidentes não significa que o hábito seja isento de riscos. “Existe uma falsa percepção de que, por ser uma substância de origem vegetal, a maconha seria inofensiva”, começou.

“Na prática, o uso frequente e prolongado pode levar ao desenvolvimento de dependência, reduzir a motivação, comprometer memória, atenção e funções executivas, além de aumentar o risco de ansiedade, depressão e episódios psicóticos, principalmente em pessoas geneticamente predispostas”, completou.

Cannabis também pode afetar o coração
Embora muitas pessoas associem os efeitos da maconha apenas ao sistema nervoso, o cardiologista Vitor de Holanda, doutorando em Cardiologia pelo Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, ressaltou que o sistema cardiovascular também sofre impacto.

Isso porque o consumo da maconha pode provocar o aumento da frequência cardíaca, alterações da pressão arterial e maior demanda de oxigênio pelo coração. “Em indivíduos saudáveis, esses efeitos podem passar despercebidos, mas em pessoas com fatores de risco ou doenças cardiovasculares eles podem favorecer arritmias, angina, infarto e até eventos cerebrovasculares.”

Lesões na boca, garganta e laringe
Até a fumaça da maconha pode trazer malefícios. A cirurgiã de cabeça e pescoço Débora Vianna, PhD pela Faculdade de Medicina da USP, explicou que a exposição frequente à queima da cannabis pode favorecer alterações nas mucosas das vias aéreas superiores.

“A fumaça da maconha contém diversos compostos potencialmente carcinogênicos semelhantes aos encontrados no cigarro tradicional. A exposição contínua pode provocar inflamação crônica na boca, garganta, laringe e cavidade oral, aumentando o risco de lesões pré-malignas e, em alguns casos, de câncer dessas regiões, principalmente quando o consumo está associado ao tabagismo ou ao uso de álcool.”

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