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Economia Terça-feira, 04 de Agosto de 2026, 20:00 - A | A

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Terça-feira, 04 de Agosto de 2026, 20h:00 - A | A

Luiza Trajano critica modelo de crédito e diz que dinheiro não chega às pequenas empresas

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Com a premissa de que as mulheres alcancem 50% das cadeiras do alto escalão nas empresas, Trajano cobrou redução da taxa de juros, mudanças no modelo de concessão de crédito para pequenos negócios e compromisso para ampliar a presença de mulheres na alta liderança das empresas.

"Queria que vocês comprassem essa briga com a gente", convocou Trajano nesta terça-feira, 4, durante o Summit Mulheres nas Profissões, evento organizado pela empresária. A mesa reuniu Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil e os ministros Luiz Marinho, do Ministério do Trabalho e Emprego, Paulo Pereira, do Empreendedorismo, e a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.

A empresária afirmou que o acesso ao mercado de trabalho não é suficiente para acelerar a carreira das mulheres. A ascensão para cargos de liderança ainda é uma limitação no País, disse.

Tarciana Medeiros, do BB, afirmou que a igualdade de gênero é uma política instaurada na governança do banco. Atualmente as mulheres ocupam 44% dos cargos da alta direção do banco. "Queremos ocupar 50% dos espaços de poder", afirmou.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou a persistência das mulheres, apesar de a trajetória feminina ter sempre sido carregada de obstáculos. "Nunca foi fácil, mas somos teimosas", disse.

"Levamos mais de 200 anos para ter uma presidente mulher no Brasil. As mulheres têm mais acesso ao mercado, mas quantas chegam ao teto?", questionou Trajano. A desigualdade entre homens e mulheres também envolve o tabu de quanto cada um ganha. "Negócio de salário é caneta", resumiu.

O ministro Luiz Marinho responsabilizou os empregadores na hora de equiparar o salário nas empresas. "Não há explicação para que uma mulher ganhe menos pelo fato de ser mulher, isso é uma vergonha nacional."

Acesso ao crédito ainda é barreira para empreendedoras

A disparidade em relação ao dinheiro também interfere na saúde financeira de quem empreende. Trajano criticou os critérios utilizados pelo sistema financeiro para análise de risco e afirmou que o modelo não acompanha a realidade dos pequenos empreendedores, principalmente das mulheres que estão na linha de frente dos negócios.

"O CredScore (score de crédito) está no século passado", afirmou. As empreendedoras ainda estão enfrentando exigências como comprovação de patrimônio, imóvel próprio e renda incompatíveis com a realidade.

"Os bancos estão com dinheiro, mas segue um credscore que impede o acesso. Tem de descentralizar isso para quem está lá na ponta", reforçou. O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, reconheceu que essa é uma demanda antiga. "Escuto isso há muitos anos", respondeu. Trajano rebateu com "estou falando é de hoje."

O ministro argumentou que o governo trabalha para ampliar o acesso ao crédito para microempresas, com faturamento anual de até R$ 360 mil, e destacou que empresas lideradas por mulheres poderão ter condições diferenciadas em algumas linhas de financiamento.

Também anunciou uma iniciativa para ampliar as compras públicas de pequenos negócios. Pereira diz que está sendo criada uma plataforma na qual, antes de contratar uma empresa, órgãos públicos devem buscar os microempreendedores (MEIs) da própria cidade. A iniciativa faz parte do programa "Contrata mais Brasil".

A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, respondeu que a instituição vem ampliando as linhas voltadas ao empreendedorismo feminino. De acordo com ela, nos últimos três anos o banco disponibilizou mais de R$ 110 bilhões em crédito para mulheres empreendedoras. "Somos um dos poucos bancos que têm conta para MEI, já com limite e cartão", afirmou.

A ministra Márcia Lopes avaliou que as políticas públicas - incluindo de crédito - sejam construídas ouvindo as mulheres em seus próprios territórios. "As empreendedoras se organizam a partir dos territórios. Precisamos escutar as mulheres onde elas estão", ponderou.

(Com Agência Estado)

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