"Em primeiro lugar, meus sigilos bancário e fiscal estão integralmente à disposição da Justiça. Faço isso para deixar claro e público que jamais houve nada além do empréstimo pessoal que obtive junto a ela, pago com a transferência bancária de R$ 249 mil - uma movimentação de natureza estritamente privada. Já constituí advogado e o orientei a fazer uso de todos os documentos a fim de esclarecer os fatos", diz a nota.
Marcola afirma ainda que sempre pautou sua atuação pública "pela ética, compromisso e transparência" e rebateu acusações de irregularidades na movimentação financeira. "A quem apresenta especulações e ilações, respondo com fatos, documentos e a minha inteira disposição e tranquilidade de colaborar com a Justiça", finalizou.
A transação entre Roberta e o ex-chefe de gabinete de Lula foi citada pela Polícia Federal no pedido de abertura de inquérito para apurar tráfico de influência do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente, no Ministério da Saúde e no Palácio do Planalto. Uma das hipóteses sob investigação é se o pagamento seria propina para abrir portas no governo. A existência da transação foi divulgada pelo site Poder360 e confirmada pelo Estadão/Broadcast.
"Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função", afirmou em nota o ex-assessor presidencial, que deixou o posto no último dia 21 de julho.
Roberta Luchsinger acertou ações com o empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, para "abrir portas" no governo federal e prospectar negócios, como mostram mensagens reveladas nesta terça-feira, 4, pelo Estadão. A PF investiga se essas ações tinham o apoio de Lulinha, que chegou a ter uma viagem a Portugal paga pelo Careca do INSS para conhecer um projeto de cannabis medicinal.
Conforme revelou o Estadão/Broadcast, Roberta Luchsinger foi mais de 40 vezes a órgãos do governo federal sem que sua presença fosse registrada nas agendas oficiais de autoridades, entre 2023 e 2025. As visitas tiveram como destino, em 2023, o então ministro da Secretaria das Relações Institucionais Alexandre Padilha. Ela também teve várias entradas registradas no Ministério da Saúde, órgão de interesse do Careca do INSS, inclusive na companhia dele.
A PF já abriu dois inquéritos para apurar as suspeitas de tráfico de influência. O primeiro envolve Ministério da Saúde e Palácio do Planalto, enquanto o segundo tem foco em negócios na Dataprev, empresa de tecnologia do governo federal. Os dois foram distribuídos ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Um terceiro pedido de inquérito também foi enviado ao STF e distribuído ao ministro Flávio Dino, que trata de negócios em outra frente do governo. Ainda não houve decisão de abertura.
(Com Agência Estado)
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