Entre as blue chips, destaque para a recuperação da Vale. As ações da Petrobras fecharam sem sinal definido, destoando do avanço de 2% da commodity, assim como o setor financeiro.
Após avançar 1,62% na máxima intradia (173.277,09 pontos), o Ibovespa reduziu alta à tarde, acompanhando a maior cautela vista na curva de juros - esta, por sua vez, se deu pelo avanço do petróleo e por movimentos de ajuste. Por fim, a referência da B3 fechou aos 171.990,2 pontos, avanço de 0,87%, ainda distante da mínima dos 170.507,92 pontos, com variação zero, da abertura. O giro financeiro totalizou R$ 22,04 bilhões. No mês, o Ibovespa cai 1,03% e no ano, sobe 6,74%.
O BC trouxe uma comunicação dura nesta quinta-feira, mas que ainda assim não descarta o corte de juros e o IPCA-15 continua ajudando neste raciocínio, avalia o estrategista de investimentos e sócio da GT Capital, Nicolas Gass, pontuando que este foi o maior direcionador para a Bolsa. "O mercado esperava uma comunicação ainda mais dura do BC, parecida com a que foi do Fed, mas as falas dos dirigentes do BC não indicaram que o corte de juros ficará para trás", avalia.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou em coletiva que no atual momento, de incerteza, nem a literatura recomenda o uso de guidances. Disse ainda que o mercado está "no direito de pedir essa informação" sobre próximos passos da autarquia, mas que o "BC vai preservar o seu direito de não dar essa informação quando ele achar que não interessa".
Na avaliação do Bradesco, em relatório assinado pelo diretor de pesquisa econômica Fernando Honorato Barbosa, o Copom pode optar por uma pausa seguida de retomada no processo de calibração da Selic, conforme já havia indicado na ata da reunião de junho.
Ainda que o RPM tenha reforçado preocupação com a inflação alta, dá maior clareza de direcionamento da continuidade de calibração dos juros por parte do BC, acrescenta o head de renda variável da Veedha Investimentos, Rodrigo Moliterno. "O BC disse que vai acompanhar dados de inflação, e o mercado acredita que irá continuar com o afrouxamento à medida que forem sendo vistos sinais de que pode cortar juros. O IPCA-15 um pouco abaixo do esperado ajuda nisso."
O IPCA-15 desacelerou de 0,62% em maio para 0,41% em junho, em variação abaixo da mediana (0,44%) da pesquisa Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado). Em nota, a economista Mariana Rodrigues, da SulAmérica Investimentos, afirma que o dado ajuda a manter a discussão de que a inflação pode já ter atingido o seu pico em 2026, mencionando também composição qualitativamente melhor, com surpresa baixista em serviços e industriais.
Moliterno nota ainda que o mercado pode estar começando a apostar mais em risco novamente, com o conflito no Oriente Médio se direcionando para o término. "Assim, voltam as preocupações internas. A inflação, com o impacto do petróleo diminuindo, também acaba arrefecendo", pondera.
Ainda assim, nesta quinta o petróleo interrompeu uma sequência de três quedas consecutivas e avançou mais de 2%, diante de relatos do The Wall Street Journal de que o Irã atacou um navio dos EUA no Estreito de Ormuz. Investidores seguem de olho na vigência do acordo entre os dois países, enquanto equilibram a perspectiva de aumento da oferta no Oriente Médio com as preocupações em torno da demanda.
Em termos micro, Petrobras PN subiu 0,42%, mas a ON fechou em leve baixa de 0,12%. Já Vale (+1,20%) registrou recuperação, na linha da alta de metais básicos - exceção ao minério de ferro, que caiu. Depois de valorização generalizada mais cedo, os bancos fecharam mistos, com Unit do Santander Brasil cedendo 0,68%, maior baixa, e Itaú PN liderando os ganhos do setor a partir da alta de 1,78%.
(Com Agência Estado)
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