O movimento da bolsa também veio em linha com o sentimento positivo em relação a mercados emergentes no exterior: o EEM, maior ETF de ações ligado a esses mercados, subiu 1,06% no dia. Além disso, as bolsas em Nova York também encerraram no azul no pregão e na semana.
O petróleo teve alta na sessão regular, e os contratos do Brent seguem acima da faixa dos US$ 100 o barril, o que mantém os investidores de olho nos efeitos para a inflação global. Por outro lado, o desempenho da commodity dá suporte aos papéis da Petrobras, em um contexto em que operadores e analistas dão ênfase aos fatores domésticos como grandes catalisadores para a força da renda variável local.
O head de research da Eleven Financial, Fernando Siqueira, atribui a performance da semana à reação às eleições e ao retorno de investidores que vinham pouco expostos à bolsa. "A alta ainda é reflexo disso. O mercado estava muito pouco alocado em ações no Brasil, tanto investidores locais quanto estrangeiros", afirma.
Para Siqueira, a continuidade do movimento depende da confirmação das expectativas incorporadas aos preços. "É difícil dizer se a alta é sustentável ou não. Vai depender se esse cenário eleitoral se confirma e, principalmente, se as reformas que se imagina que possam ser feitas no ano que vem, de fato, serão feitas."
O fundador e gestor da RAM Capital, Paulo Renoldi, relaciona o avanço principalmente à queda dos juros longos, que reduz a concorrência dos títulos públicos com as ações. Quanto maior a remuneração oferecida por um ativo considerado livre de risco, menor o incentivo para assumir risco na bolsa. Logo, quando essa taxa cai, a renda variável ganha atratividade, um movimento que vem ganhando força.
Ele destaca o efeito dessa dinâmica nas small caps e em empresas mais endividadas, que sofreram mais durante o período de juros elevados e que, com o cenário de juros menores, apresentam um desempenho relativo muito melhor do que o próprio índice amplo.
O SMLL, das empresas de menor capitalização, subiu 4,26% hoje e 20,14% na semana, enquanto o IMOB, do setor imobiliário, teve avanço de 5,49% hoje e 20,77% na semana. O comportamento também aparece no ICON, de consumo e varejo, com alta de 3,49% no dia e 17,70% na semana.
"A bolsa tem espaço para andar, as small caps também, mas o juro ainda tem espaço para cair muito mais. Se de fato vier um ajuste fiscal relevante em um eventual governo Flávio, esse juro vai muito para baixo", diz Renoldi.
(Com Agência Estado)
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