Galípolo ressaltou que o conceito de cautela na autoridade monetária está sempre associado ao de serenidade. Brincou também que usou a palavra cautela mais vezes na vida desde que entrou no BC do que antes de fazer parte do board da autoridade monetária.
O banqueiro central detalhou que essa percepção de uma condição mais favorável do Brasil considera o ponto de vista do crescimento econômico, que está mais próximo do potencial do País, e da taxa de câmbio, que tem se apresentado mais bem comportada, beneficiada não só pelo Brasil ser exportador líquido de petróleo mas também pelo carry, segundo Galípolo.
Apesar desses fatores, ele ponderou que, do ponto de vista da condução da política monetária, ainda há preocupação com o mercado de trabalho apertado e as expectativas de inflação desancoradas.
Tarefa difícil dos BCs
O presidente do Banco Central afirmou ainda que os dirigentes de bancos centrais de todo o mundo têm sido cobrados não mais apenas por terem aumentado demais os juros, com efeitos contracionistas sobre a economia e, consequentemente, sobre resultados eleitorais, mas também por terem cortado demais a taxa de juros, permitindo impactos de preços sobre a inflação.
"Agora os banqueiros centrais não apanham mais somente por terem sido causadores de algum tipo de queda de popularidade ou perda de eleição do presidente, porque eles subiram a taxa de juros demais, mas também porque cortaram demais e o pode ter tido um impacto na inflação", frisou Galípolo.
O presidente da autoridade monetária mencionou que diferentes pesquisas mostram que a sociedade atual não tolera mais conviver com inflação.
Segundo ele, críticas dirigidas a bancos centrais pelo mundo tratam de uma possível demora excessiva para responder via política monetária, por exemplo, ao choque de oferta que contaminou preços na invasão da Ucrânia pela Rússia, o que levou a um custo posterior maior para a população.
"O Banco Central do Brasil é muito elogiado pelos pares e pela comunidade de finanças internacionais por ter sido um dos primeiros a reagir naquele momento ali. Se a gente lembrar, foram 1.175 pontos bases de alta de juros nos 18 meses que antecedem a eleição. Esse foi o movimento que o Banco Central do Brasil fez ali", comentou Galípolo.
Expectativas de inflação subido menos que as de juros em nível global
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que, em âmbito global, em meio ao aumento da incerteza associada ao conflito no Oriente Médio, as expectativas têm mostrado um comportamento curioso: as expectativas para a inflação têm subido, mas menos do que as para os juros.
Ele mencionou que esse comportamento foi mencionado em uma análise feita pelo economista sul-coreano Hyun-Song Shin. Segundo Galípolo, entre as explicações para esse cenário está o fato de que o conflito acabou adiando o softland que era aguardado pelo mercado global desde 2024.
"Isso machuca muito o mercado, tecnicamente você tem essa revisão das posições, que costuma gerar algum tipo de ruído e sujeira. Dificulta separar o que é técnico do que é sinal mesmo dos preços de mercados que estão sendo extraídos", disse o presidente do BC.
Ainda sobre o conflito, Galípolo frisou que há incerteza se o choque de oferta será mais curto ou duradouro, mas que ambos cenários conversam com o aumento das expectativas de inflação em nível global em 2026 e 2027.
No caso do Brasil, pontuou, está sendo registrado também um avanço em horizontes mais longos, notadamente em 2028.
"Vale para quem está aqui na academia tentar entender um pouco mais quais são as razões que estão por trás de um prazo mais longo para um choque de oferta como esse. E tem várias explicações aqui para o porquê isso está acontecendo", disse o banqueiro central.
Galípolo participou nesta segunda-feira da abertura do XII Seminário Anual de Política Monetária promovido pelo Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), no Rio de Janeiro.
(Com Agência Estado)
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