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Economia Terça-feira, 18 de Agosto de 2026, 17:00 - A | A

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Terça-feira, 18 de Agosto de 2026, 17h:00 - A | A

Dólar vai a R$ 5,22 em dia negativo para divisas emergentes

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Após trocas de sinal pela manhã, o dólar se firmou em alta frente ao real ao longo da tarde desta terça-feira, alinhado ao comportamento da moeda norte-americana no exterior, e fechou pelo terceiro pregão consecutivo acima de R$ 5,20. O dia foi marcado por certa aversão ao risco lá fora, com a manutenção do petróleo tipo Brent acima da linha de US$ 90 o barril, diante das incertezas sobre o conflito no Oriente Médio.

Com máxima de R$ 5,2221 na reta final dos negócios, o dólar à vista encerrou a sessão a R$ 5,2216, avanço de 0,39%. Na segunda-feira, a divisa fechou em baixa de 0,36%, interrompendo uma sequência de cinco pregões consecutivos de alta. Após desvalorização de 1,79% em julho, a moeda acumula em agosto ganhos de 2,98%. No ano, as perdas são de 4,87%.

O economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, observa que, apesar da continuidade do movimento de saída de recursos da bolsa brasileira, o fluxo cambial não mostra um quadro de crise. "O peso crescente do risco eleitoral, contudo, corrobora nossa previsão de um dólar ainda superior a R$ 5,167", afirma Velho.

As cotações do petróleo fecharam em leve alta, com o aumento das tensões no Oriente Médio e as incertezas em torno do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta terça que "não há conversas ou negociações" em andamento com o Irã e publicou uma imagem de Ormuz como território americano. O contrato do Brent para outubro, referência para a Petrobras, subiu 0,17%, a US$ 91,02 o barril.

Apesar da alta da commodity, que, em tese, traz uma melhora dos termos de troca do país e da perspectiva de fluxo comercial, não há apetite pelo chamado "trade do petróleo" com o real - seja pelo aumento da aversão ao risco no exterior, seja pela cautela com a proximidade da eleição presidencial.

"O real não tem respondido nestes dias de forma positiva à alta do petróleo e à queda do DXY", afirma o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior, ressaltando que, do ponto de vista técnico, R$ 5,30 representa um nível de resistência.

Referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou com ligeiro viés de alta ao longo do dia e rondava os 99,640 pontos por volta das 17h. Após uma safra de indicadores mais fracos de atividade e inflação nos EUA, as atenções se voltam amanhã para a divulgação da ata do encontro de política monetária do Federal Reserve em julho, que deve confirmar a divisão dentro do BC americano sobre a necessidade de um aperto monetário.

O chefe de estratégia global de mercados do banco ING, Chris Turner, pondera, em nota, que a alta nos preços de energia tende a impulsionar o dólar, seja pela "independência energética dos EUA", seja por estimular apostas em alta de juros pelo Fed. O avanço recente das taxas dos Treasuries longos, em ambiente marcado por estresse nos mercados globais de juros, também exerce pressão sobre as divisas emergentes, acrescenta Turner.

(Com Agência Estado)

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