"O real se recupera hoje nesta segunda junto com os pares. O debate de domingo foi considerado um empate técnico. O mercado vai se movimentar apenas se as pesquisas andarem de forma expressiva para um lado ou para o outro", afirma o diretor da tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt.
Levantamento BTG Nexus, divulgado pela manhã, mostrou estreitamento da diferença entre candidatos, mas com Flávio Bolsonaro numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em quadro de empate técnico (46,5% contra 45,9%). Sondagem Atlas/Bloomberg traz o candidato do PL com 49,8%, ante 47,6% do petista.
"O recuo do diferencial de votos em novas pesquisas não surpreende. A menor aversão ao risco no exterior e a valorização das moedas emergentes mantêm o dólar abaixo de R$ 5,07", afirma o economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho.
Sem indutores mais fortes para os negócios, o dólar oscilou pouco mais de dois centavos entre a mínima e a máxima e fechou cotado a R$ 5,0481, em queda de 0,50%. A moeda americana recua 2,45% em outubro, graças, sobretudo, à desvalorização superior a 4% na semana após o primeiro turno da eleição. No ano, as perdas são de 8,03%.
"O clima é de cautela. Parte do mercado já trabalha com a vitória de Flávio, mas quer saber se o discurso de responsabilidade fiscal sobrevive às promessas de campanha", afirma Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos.
Weigt, do Travelex Bank, vê um "cenário assimétrico" para a taxa de câmbio no período imediatamente posterior ao desfecho da corrida presidencial. "Tem mais para piorar com a vitória de Lula do que para melhorar com a vitória de Flávio", afirma o tesoureiro. "A partir daí, vai depender das medidas fiscais que um ou outro puder anunciar."
Para a sócia-fundadora da Convex Research, Thaise Saeter Rytenband, o nível da taxa de câmbio já reflete a perspectiva de maiores chances de vitória de Flávio. "Diante de uma vitória de Lula, teríamos a desmontagem de posições de muitos investidores que apostam na valorização do real. Esse é o problema", afirma.
Lá fora, o índice DXY - referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes - subia 0,15% por volta das 17h, aos 101,985 pontos, acumulando alta de cerca de 0,50% em outubro. As taxas dos Treasuries avançaram, sem, contudo, abalar o apetite por divisas emergentes.
Após muita volatilidade, em meio às tensões no Oriente Médio e ao alívio das sanções americanas contra a Rússia, o petróleo terminou a sessão regular em leve baixa. O contrato do Brent para dezembro recuou 0,28%, a US$ 109,55 o barril.
(Com Agência Estado)
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