O médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, responsável pelos procedimentos estéticos realizados em Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, que morreu durante uma cirurgia na sexta-feira (16), no Hospital Geral em Cuiabá, aparece em investigações e ações judiciais relacionadas a contratos públicos de saúde e também figura em processos cíveis. Os casos têm objetos distintos e, conforme as informações reunidas, não há condenação definitiva que permita atribuir a ele responsabilidade criminal ou civil pelas irregularidades apontadas nas ações.
Lurdes morreu em 16 de outubro de 2026, no Hospital Geral e Maternidade, em Cuiabá. As circunstâncias da morte são investigadas pelas autoridades. Ainda são aguardados resultados técnicos que possam esclarecer a causa da morte e a eventual existência de falha no atendimento médico.
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) também instaurou uma sindicância para apurar o caso. Até o momento, não há conclusão oficial sobre o que provocou a morte da jovem nem sobre eventual responsabilidade profissional do médico.
Em manifestação da defesa, foi informado que o procedimento ocorreu em ambiente hospitalar, que houve avaliação pré-operatória e que uma complicação inesperada levou à interrupção da cirurgia. Segundo a versão apresentada, foram realizadas tentativas de reanimação por aproximadamente duas horas. A causa do óbito deverá ser esclarecida pelas investigações e pelos exames técnicos.
INVESTIGAÇÃO SOBRE CONTRATOS PÚBLICOS
O nome de Euller Preza aparece entre os alvos da Operação Cartão Postal, deflagrada em outubro de 2023 para investigar suspeitas de irregularidades em contratos da área da saúde em Sinop, município localizado a 500 quilômetros de Cuiabá.
A investigação apurava possíveis fraudes em contratações públicas que, segundo as informações reunidas, somavam aproximadamente R$ 87,4 milhões. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca relacionados a pessoas e empresas investigadas, entre elas Euller Preza e a empresa Gonçalves Preza – Serviços de Assistência à Saúde Ltda.
Euller também foi denunciado em uma ação criminal derivada da Operação Espelho, que investigou suspeitas de irregularidades em contratos e licitações da saúde pública durante a pandemia de covid-19.
Na acusação, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) apontou uma suposta atuação de um grupo para direcionar procedimentos licitatórios e simular concorrência.
Em janeiro de 2024, a defesa do médico pediu sua absolvição. Entre os argumentos apresentados, sustentou que as provas seriam insuficientes e alegou que ele teria sofrido ameaças e pressões de pessoas apontadas como lideranças do suposto esquema.
CONTRATO DE R$ 3,29 MILHÕES EM CHAPADA
Outra frente judicial envolve uma ação civil pública por improbidade administrativa proposta pelo Ministério Público de Mato Grosso contra a empresa Gonçalves Preza – Serviços de Assistência à Saúde Ltda. e outros envolvidos na contratação de serviços médicos pela Prefeitura de Chapada dos Guimarães, em 2019.
O contrato questionado foi firmado diretamente, sem licitação, e tinha valor de R$ 3.293.562,72. A ação busca esclarecer se a contratação atendeu aos requisitos legais e se houve irregularidades que possam gerar responsabilização dos envolvidos.
Entre os pontos em discussão estão a justificativa para a contratação direta, a efetiva prestação dos serviços, a eventual ocorrência de prejuízo aos cofres públicos e a existência de responsabilidade individual dos envolvidos.
Em outubro de 2026, a Justiça rejeitou uma questão preliminar apresentada no processo e determinou o prosseguimento da ação para a fase de produção de provas.
AÇÕES MOVIDAS POR PACIENTES
Além dos procedimentos relacionados a contratos públicos, Euller Preza aparece como réu em ações cíveis movidas por pacientes. Entre os processos identificados estão ações propostas por C. A. M., em Cuiabá, e S. K. da S., em Várzea Grande.
Os registros consultados indicavam que as duas ações estavam em andamento em outubro de 2026.
Outro processo envolve A. S. de R., que ajuizou uma ação de indenização após a morte da esposa, E. A. de Q. R., em agosto de 2013.
Na ação, o autor atribui falhas ao atendimento médico recebido pela mulher, que tinha arterite de Takayasu e posteriormente apresentou pneumonia. O processo envolve profissionais de saúde e a Unimed.
Em decisão de 2026, a Justiça determinou a realização de perícia médica para avaliar o tratamento prestado, a necessidade de internação ou encaminhamento e a possível relação entre o atendimento e a morte da paciente.
A perícia deverá fornecer elementos técnicos para a análise judicial. Nos documentos apresentados, não há decisão definitiva reconhecendo erro médico ou estabelecendo a responsabilidade de Euller Preza pela morte da mulher.
MORTE DE LURDES É APURADA SEPARADAMENTE
A morte de Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, é o caso mais recente relacionado ao médico e permanece sob investigação. A apuração deverá esclarecer o que aconteceu durante os procedimentos estéticos realizados em Cuiabá e se houve alguma falha que possa ter contribuído para a morte.
A defesa sustenta que houve uma complicação inesperada e que foram adotadas medidas de reanimação. A versão deverá ser confrontada com os laudos, os prontuários e os demais elementos reunidos pelas autoridades.
O CRM-MT mantém apuração própria no âmbito ético-profissional, enquanto os órgãos responsáveis pela investigação do óbito deverão esclarecer as circunstâncias da morte.
Até que haja conclusões oficiais, não é possível afirmar que a morte tenha sido causada por erro médico. Da mesma forma, as investigações e ações judiciais anteriores não comprovam, por si só, nenhuma irregularidade.
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