No primeiro trimestre, o Ibovespa acumulou ganho de 16,35%, no que foi seu melhor desempenho desde o último trimestre de 2020 - lembrando que todo o ano de 2020 foi marcado pela volatilidade da pandemia de covid-19. Considerando apenas os trimestres iniciais, foi também o melhor janeiro-março desde 1998, conforme série compilada pelo AE Dados: naquele intervalo, a variação positiva do índice ficou na casa de 57%.
Dessa forma, o desempenho deste primeiro trimestre foi mais agudo do que o de outras fortes aberturas de ano, como as de 2022, quando havia avançado 14,48% entre janeiro e março, e também o ganho dos três primeiros meses de 2016, há 10 anos, então em alta de 15,47% no mesmo intervalo.
No mês, refletindo a retomada da aversão a risco global em meio ao conflito no Oriente Médio, o Ibovespa recuou 0,70%, no que foi a sua primeira perda desde julho do ano passado, quando havia cedido 4,17% antes de o índice encadear sete meses de ganhos.
Com a moeda norte-americana em alta de 0,87% no acumulado de março, o Ibovespa em dólar fecha o mês a 36.199,32 pontos. Em dólar, no fim de fevereiro, estava em 36.771,90 pontos, com a moeda americana, então, ainda em baixa no mês. No fechamento de janeiro, o Ibovespa havia chegado a 34.561,30 pontos, refletindo também a queda de 4,40% acumulada pela moeda americana frente ao real no primeiro mês do ano. Apesar do estilingue, o Ibovespa permanece longe do topo de julho de 2008, em dólar. Naquela época, convertido para a moeda americana, quase encostou nos 45 mil pontos, com o dólar girando então em torno de R$ 2,20. Para que atinja valores similares em dólares, precisaria se aproximar dos 240 mil em termos nominais.
"Hoje, o mercado se animou com os primeiros sinais, pelo lado iraniano, de que uma negociação para a suspensão do conflito esteja de fato caminhando, desde que os Estados Unidos ofereçam garantias para a paz", diz Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos. "O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também está de olho, cada vez mais, no cenário interno e quer encontrar logo uma solução", acrescenta o analista, referindo-se às eleições de meio de mandato, no fim do ano, com renovação da Câmara e do Senado, e desfecho que pode ser desfavorável a Trump e aos republicanos, caso o preço do petróleo continue a pesar no bolso do consumidor americano.
"Em resumo, o mercado comprou hoje a ideia de que existe chance de distensão no Oriente Médio, e isso bastou para impulsionar bolsas, derrubar dólar e aliviar juros. Mas o cenário segue muito sensível: basta uma nova frustração diplomática ou avanço militar para a volatilidade voltar com força. Hoje, houve alívio, mas ainda não dá para chamar de solução", observa Marcos Praça, diretor de análises da ZERO Markets Brasil.
"O Irã afirmou, à tarde, ter interesse no cessar-fogo desde que sejam oferecidas algumas garantias, o que acelerou o ritmo da melhora vista desde mais cedo na sessão, o que resultou em fechamento da curva de juros com efeito benéfico, também, para as empresas com exposição a juros e ao ciclo doméstico", diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.
Assim, das 83 ações da carteira Ibovespa, apenas quatro fecharam o dia em baixa: Prio (-8,17%) e MBRF (-3,09%), além das duas ações de Petrobras (ON -1,35%, PN -2,01%), com as ações de energia afetadas em parte pela virada do petróleo na etapa vespertina, ante a perspectiva de paz no Oriente Médio. Na ponta vencedora do índice, Natura (+12,99%), Magazine Luiza (+9,62%), B3 (+7,98%) e Cosan (+6,11%).
Entre os bancos, os ganhos da sessão chegaram a 4,52% no principal papel do segmento, Itaú PN, no fechamento. Principal papel do Ibovespa, Vale ON encerrou a sessão em alta de 3,75%.
(Com Agência Estado)
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