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Cidades Sexta-feira, 28 de Agosto de 2026, 16:10 - A | A

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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2026, 16h:10 - A | A

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Três em cada 10 mulheres de MT sofrem violência sem saber que são vítimas

Pesquisa do DataSenado mostra que 29% das mulheres mato-grossenses relataram situações concretas de violência nos 12 meses anteriores ao levantamento, mas não identificaram espontaneamente os episódios como violência doméstica ou familiar

DA REDAÇÃO

Imagem matéria violencia doméstica

Três em cada dez mulheres de Mato Grosso, ou 29%, passaram por situações de violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa, mas não reconheceram espontaneamente essas experiências como violência. O percentual é igual ao registrado no Brasil e revela uma diferença entre a violência efetivamente vivenciada e aquela identificada pelas próprias vítimas.

O dado faz parte da atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, elaborada a partir da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do DataSenado.

Em Mato Grosso, 14% das entrevistadas declararam espontaneamente ter sofrido violência doméstica ou familiar no período de 12 meses. Quando foram questionadas sobre situações concretas de agressão, sem a utilização direta da expressão “violência doméstica”, 43% relataram experiências compatíveis com esse tipo de violência.

A diferença de 29 pontos percentuais representa justamente as mulheres que passaram por situações de violência, mas não as reconheceram espontaneamente dessa forma.

O mesmo fenômeno aparece no cenário nacional. Apenas 4% das brasileiras disseram espontaneamente ter sofrido violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa. Quando questionadas sobre situações específicas, o percentual chegou a 33%.

Para a coordenadora do Observatório da Mulher contra a Violência do Senado Federal, Maria Teresa Prado, o reconhecimento da violência é fundamental para que as mulheres consigam acessar os mecanismos de proteção.

“Uma política pública só consegue proteger plenamente quando as mulheres têm informação para reconhecer a violência, conhecem seus direitos e encontram caminhos acessíveis e seguros para buscar ajuda”, afirma.

UMA EM CADA TRÊS JÁ FOI VÍTIMA

Além dos episódios registrados no último ano, a pesquisa mostra que 33% das mulheres de Mato Grosso afirmam já ter sofrido, em algum momento da vida, violência doméstica ou familiar praticada por um homem.

Entre as mulheres que relataram violência praticada por um homem, 88% disseram ter sofrido violência psicológica, 84% violência física e 70% violência moral.

A violência também aparece próxima da realidade das entrevistadas. Em Mato Grosso, 73% disseram conhecer alguma amiga, familiar ou pessoa próxima que já sofreu violência doméstica ou familiar.

PROTEÇÃO AINDA É POUCO CONHECIDA

Apesar da dimensão do problema, grande parte das mato-grossenses afirma conhecer pouco os principais instrumentos legais de proteção.

Em relação à Lei Maria da Penha, 70% dizem conhecer pouco a legislação e 8% afirmam não conhecer nada sobre ela. Sobre as medidas protetivas, 69% dizem conhecer pouco o instrumento e 15% afirmam não conhecê-lo. Somados, os dois grupos representam 84% das entrevistadas.

Entre os serviços de proteção, a Defensoria Pública é conhecida por 97% das mulheres ouvidas, seguida pela Delegacia da Mulher, com 93%; pelos CRAS e CREAS, com 85%; e pelo Ligue 180, com 79%.

Para a gerente de Políticas Públicas pelo Fim da Violência contra as Mulheres do Instituto Natura, Beatriz Accioly, a falta de informação pode dificultar a busca por ajuda.

“Se a mulher não reconhece o que vive como violência, torna-se muito mais difícil procurar proteção e acolhimento. Por isso, informação de qualidade não é algo acessório: é parte fundamental de qualquer política pública de enfrentamento à violência contra as mulheres”, afirma.

MAIORIA PERCEBE AUMENTO DA VIOLÊNCIA

A percepção das entrevistadas acompanha a dimensão apontada pelo levantamento. Para 82% das mato-grossenses, a violência doméstica e familiar contra as mulheres aumentou nos 12 meses anteriores à pesquisa.

Além disso, 69% consideram o Brasil um país “muito machista”.

A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher ouviu 21.641 mulheres com 16 anos ou mais em todo o Brasil, entre 16 de maio e 8 de julho de 2025. O levantamento utiliza amostra probabilística e tem nível de confiança de 95%.

O Mapa Nacional da Violência de Gênero é mantido pelo Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), do Senado Federal, em parceria com o Instituto Natura e a organização Gênero e Número.

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