A política tem dessas ironias: a mesma família que ajudou a engordar uma candidatura pode acabar colocando-a na dieta. Léo Bortolin, ex-prefeito de Primavera do Leste e ex-presidente da AMM, vinha construindo sua caminhada para a Assembleia Legislativa tendo na deputada Janaína Riva uma de suas principais aliadas dentro do MDB. Só que apareceu Jéssica Riva, irmã de Janaína, também candidata a deputada estadual — e alguns dos apoios antes encaminhados para Léo começam a mudar de endereço.
O problema é que pesquisas indicam pelo menos cinco nomes competitivos brigando por quatro vagas projetadas para o MDB: Eduardo Botelho, Dr. João, Thiago Silva, Léo Bortolin e Jéssica Riva. Para o partido, a chegada de Jéssica pode ser excelente, porque acrescenta votos à chapa. Para Bortolin, nem tanto. Cada liderança que troca Léo por Jéssica mantém votos dentro do MDB, mas altera a corrida particular pela cadeira.
No fim das contas, Janaína pode ter ajudado a colocar Léo no páreo e, agora, a candidatura da irmã pode ajudar a tirá-lo dele. É o velho canibalismo eleitoral: todo mundo alimenta a chapa, mas alguém pode acabar virando o prato principal.
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