Quem convive com cães e gatos sabe, basta o calor apertar para a rotina da casa mudar. O cachorro procura o cantinho mais fresco do piso, o gato abandona a caminha e encontra outro lugar para descansar, enquanto o pote de água parece nunca ser suficiente. Em períodos de altas temperaturas acompanhadas de baixa umidade do ar, essas mudanças de comportamento merecem atenção. O tempo seco pode provocar desidratação, irritação dos olhos e da pele e agravar problemas respiratórios nos animais.
Para a médica veterinária Aleciane Gorla, a hidratação deve estar no centro dos cuidados. “Água limpa, fresca e em quantidade suficiente precisa estar sempre ao alcance do animal e pode ser distribuída em diferentes pontos da casa. Nos dias mais quentes, algumas estratégias simples também ajudam a estimular o consumo, como colocar pedras de gelo na água, desde que o comportamento do animal seja conhecido”, explica.
Alimentos úmidos também contribuem para aumentar a ingestão de líquidos”
A alimentação também pode ser outra aliada para hidratar e refrescar os dias mais quentes. A médica veterinária acrescenta que as frutas com maior quantidade de água, como melancia, melão e pera, podem ser oferecidas como petiscos. “Sempre respeitando as necessidades individuais de cada animal. Alimentos úmidos também contribuem para aumentar a ingestão de líquidos”, explica.
Aleciane chama atenção ainda para os olhos e para a respiração, que podem sofrer com a baixa umidade. A orientação é observar qualquer mudança e evitar banhos excessivos como estratégia para refrescar o animal, já que o excesso pode ressecar ainda mais a pele. Brincadeiras com água também são bem-vindas, desde que o pet possa permanecer em local ventilado e não fique por muito tempo com a pelagem molhada.
Jane Zanetti, presidente da fundação que leva o seu nome, e atua nas causas animal e ambiental, acrescenta que a casa também pode virar uma espécie de refúgio contra o calor. Ambientes arejados, ventiladores e, quando possível, ar-condicionado ajudam a reduzir o desconforto. “Umidificadores ou toalhas úmidas próximas aos locais de descanso podem ser alternativas para amenizar os efeitos do ar seco”.
Jane também chama a atenção para os horários de passeios. A recomendação é concentrá-los até às 9h e depois das 17h, quando as temperaturas tendem a ser mais amenas. “Mesmo nesses horários, é importante observar o chão: o asfalto e outras superfícies podem acumular calor e provocar queimaduras nas patas. Respiração muito acelerada, cansaço excessivo, prostração e salivação são sinais que não devem ser ignorados, pois podem indicar superaquecimento e, em situações graves, hipertermia”, destaca a presidente.
Para os gatos, a casa precisa oferecer escolhas. Se os cães costumam demonstrar o desconforto com a língua para fora e a respiração acelerada, os gatos muitas vezes enfrentam o calor de maneira mais silenciosa. É justamente por isso que a atenção precisa ser redobrada. A catsitter e especialista em comportamento felino, Maiza Prioli recomenda espalhar potes de água pela casa e, se possível, utilizar fontes de água corrente. Ela conta que cubos de gelo podem despertar a curiosidade do gato e estimular a ingestão de líquidos.
Para o gato, ter opções também é uma forma de bem-estar. Janelas abertas, quando houver segurança, ajudam na circulação do ar, enquanto tecidos leves podem substituir mantas e camas mais quentes. “O ideal é permitir que o felino escolha onde quer permanecer, oferecendo diferentes pontos frescos e ventilados. Nunca é seguro deixá-lo preso em ambientes quentes e sem circulação de ar”, ressalta.
O período quente e seco também exige atenção para outros problemas. Segundo Maiza, infestações por ectoparasitas, alterações de pele e complicações respiratórias estão entre as situações que podem aparecer ou se agravar nessa época. A prevenção continua sendo fundamental, assim como manter a vacinação em dia e acompanhar regularmente a saúde do animal.
“Em caso de mudança de comportamento, dificuldade para respirar, apatia, perda importante de apetite ou qualquer sinal fora do habitual, a orientação é procurar um médico-veterinário”, explica a catsitter.
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