As mulheres entre 18 e 24 anos desempregadas representaram mais que o triplo dos homens na mesma faixa etária em Mato Grosso em 2025. A taxa de desemprego entre elas foi de 31,6%, contra 9,1% entre os homens, segundo levantamento do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds) divulgado na última quinta-feira (17), às vésperas das eleições.
O indicador, que pode ser acessado no “IMDS – Eleições: Panorama Estadual”, trata diretamente sobre parte da população conhecida popularmente como “nem-nem”, em que a pessoa não estuda e não trabalha.
De acordo com os dados, o cenário apresentou diferenças de gênero no comparativo entre os anos de 2024 e 2025. Enquanto a taxa de desemprego para os homens houve um recuo de 4,1%, para as mulheres teve uma alta de 5,7%, que saltou de 25,9% para 31,6%.
Em cinco anos, o estado sofreu um recuo tímido no desemprego. Em comparativo com 2020, em que a taxa era de 24,51%, a queda foi de apenas 3,47% em relação a 2025, em que o desemprego ficou em 20,74%.
Apesar das alterações ao longo dos anos, o levantamento permite enxergar que a taxa de desemprego, tanto para homens quanto para mulheres, permanece estável nos últimos 10 anos.
A taxa para os homens, por exemplo, sofre varia variação, mas fica entre 9% a 17%. Já para as mulheres, o índice varia entre 30% e 35%. O único ano em que o desemprego saiu dessa faixa para as mulheres foi em 2024, o patamar mais baixo já alcançado.
De acordo com a economista e mestranda pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Laysa Avalos, esse cenário reflete questões estruturais, históricas e culturais.
Ao HNT, ela explicou que esses dados revelam uma combinação de barreiras como transformações comportamentais nas novas gerações e a falta de políticas públicas contínuas.
Embora possuam níveis de instrução mais elevados que os homens, as jovens enfrentam papéis de gênero históricos que atribuem a elas o trabalho de cuidado e a economia doméstica
Para Laysa, o mercado em Mato Grosso possui vagas disponíveis, contudo, a sobrecarga do lar e fatores como o casamento precoce impedem que essas mulheres consigam sequer ultrapassar a "porta de entrada" do emprego formal.
“Estruturalmente, as mulheres tiveram menos oportunidade de alguns acessos. Mesmo, ironicamente, elas tendo mais aptidão ao estudo, elas não têm tanto acesso quanto os homens no mercado de trabalho. Por diversas questões a gente pode classificar isso como estruturais”, pontuou.
FALTA DE NORTE E ILUSÃO DE ENRIQUECIMENTO
Outro ponto abordado pela economista é a ilusão de enriquecimento rápido trazido pelas redes sociais, como a promessa de monetização de conteúdos e a atração das apostas virtuais, as bets). Segundo ela, essa forma de se relacionar com o mundo virtual criou uma visão distorcida do trabalho tradicional, gerando uma "falta de norte" nas novas gerações.
“A gente tem uma falsa percepção de que todos podemos ser os ganhadores na loteria. Essa é a sensação que se passa, principalmente pelas redes sociais. Isso é inevitável, já é um fenômeno muito estudado. Então, isso traz essa dinâmica e favorece essa desesperança no fim das contas”, destacou.
POLÍTICAS PÚBLICAS INTEGRADAS E CONTÍNUAS
Para reduzir a disparidade no desemprego entre mulheres em Mato Grosso, a especialista defende políticas públicas de longo prazo, com ações integradas entre União, Estado e municípios.
Para Avalos, também é necessário uma mudança cultural, e para isso o governo precisa oferecer soluções materiais diretas, como a ampliação de creches públicas e o suporte às mulheres que atuam como cuidadoras no lar.
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