Em julho deste ano, o Pantanal matogrossense foi assolado por um incêndio que durou meses e devastou mais de 20% do bioma. A situação dramática, por outro lado, também mobilizou ações solidárias em prol da recuperação da fauna e flora e a atenção de diversas autoridades regionais e nacionais.
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Em agosto de 2020, aproximadamente um mês desde o início dos incêndios, já era possível ver o rastro de destruição deixado pelas chamas no Pantanal. À época, o fotógrafo Vinicius Appolari fez registros durante o trabalho do Corpo de Bombeiros que tentava, incessantemente, conter o fogo na região. As chamas já haviam consumido uma área equivalente a 300 mil campos de futebol.
Em setembro a situação se agravava e Organizações Não Governamentais (ONGs) começaram a se manifestar em prol, principalmente, dos animais do Pantanal.
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Naquele mês, ‘Ampara Animal’ junto com a frente ‘Ampara Silvestre’ criou a campanha ‘Pantanal em Chamas’. A ação tinha como objetivo arrecadar fundos para dar suporte nos resgates aos animais do Pantanal, que estão sendo gravemente afetados pelas queimadas que dominam o bioma. Vários veterinários e biólogos voluntários também se deslocaram para atender os animais no local.
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Mauro Pimentel/AFP
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Ainda em setembro, os primeiros laudos periciais sobre a tragédia apontaram que os incêndios registrados na região do Pantanal mato-grossense foram provocados por ação humana. Os laudos das perícias realizadas pelo Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional (Ciman-MT) foram encaminhados para a Delegacia de Meio Ambiente (Dema).
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No dia 16 de setembro, o ministro do Desenvolvimento Regional Rogério Marinho garantiu um aporte financeiro de R$ 10,1 milhões para o governo estadual aplicar no combate às queimadas que atingem a região do Pantanal. Segundo balanço da época, 1,6 milhões de hectáres já tinham sido devastados pelo fogo, a área é o equivalente ao cinco vezes o tamanho de Cuiabá.
Três dias depois, senadores, deputados federais e estaduais e técnicos legislativos realizaram diligências na região com o objetivo de alcançar soluções integradas, efetivas e de longo prazo.
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Mauro Pimentel/AFP
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Diante da gravidade da situação, a bióloga Scarlet Fauth alertou ao HNT/HiperNotícias que a recuperação do bioma poderia demorar anos.
"Podemos perder em diversidade e riqueza muitas espécies de animais, pois o bioma Pantanal por ser um bioma vulnerável e não adaptado à passagem do fogo. Esses animais que ali habitam, não estão preparados para isso. O calor, a falta de recursos alimentares, a falta de água, a perda de habitats, gera um desequilíbrio muito grande neste bioma, sendo impossibilitado uma vida natural para estes animais", explicou Scarlet.
Em outubro, i ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, procurou minimizar a responsabilidade do governo federal sobre os incêndios recordes que atingem o Pantanal e disse que a gestão federal é responsável por apenas 6% da área total do bioma, cabendo aos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul a fiscalização por 94% do território.
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Depois de quatro meses de incêndios e devastação, os incêndios no Pantanal foram controlados no fim de outubro, com o retorno das chuvas. Contudo, à época, ainda existiam focos de incêndio no bioma.
Por outro lado, os animais continuaram sofrendo com a chamada "fome cinzenta", uma condição causada pelo desequilíbrio provocado na cadeia alimentar, que gerou falta de alimentos. O problema ainda se complicava com a falta de água.
“A chuva que está caindo no Pantanal não está sendo suficiente para esses animais se dessedentarem. O trabalho continuará até que as chuvas se fortaleçam e aconteça a rebrota das plantas herbáceas para que a mesofauna e a pequena fauna possa se alimentar e possa manter a cadeia alimentar dos maiores predadores”, detalhou o coronel da reserva do Corpo de Bombeiros, Barroso, que é comandante do Incidente do Posto de Atendimento Emergencial a Animais Silvestres (Paeas).
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Após o fogo consumir mais de 20% do Pantanal mato-grossense, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (Sedec), anunciou planejamento para investir R$ 439,3 milhões até 31 de dezembro de 2021 em um plano emergencial para recuperação da pecuária pantaneira.
Mauro Pimentel/AFP
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Em novembro, pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) apontou que o Pantanal teve 13% mais de dias sem chuva do que na década de 1960 e massa de água 16% menor, quando considerados os últimos 10 anos.
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“Embora seja encontrado um pulso de inundação bem definido no Pantanal do Norte, ao longo de uma série histórica de 42 anos, o número de dias sem precipitação aumentou muito, assim como a perda de massa de água na paisagem nos últimos 10 anos, especificamente durante a estação seca”, explicou o professor da Unemat, Ernandes Sobreira Oliveira Junior, doutor em Ecologia pela Universidade Radboud (Holanda).
Já em dezembro, mais um capítulo sobre as causas dos incêndios no Pantanal se desenrolou. A Delegacia Especializada de Meio Ambiente (Dema), da Polícia Civil, cumpriu no último dia 18, quatro mandados de busca e apreensão, realizou requisições de documentos e de perícias complementares dentro da Operação Abuterum que está angariando elementos probatórios dentro dos inquéritos que apuram ocorrências de incêndios ilegais no Pantanal mato-grossense e na Baixada Cuiabana.
Foram realizadas buscas e apreensões em três propriedades rurais e em uma residência no Pantanal e solicitadas perícias complementares à Politec em duas áreas rurais.
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