Cidades Quinta-feira, 28 de Julho de 2011, 07:30 - A | A

Quinta-feira, 28 de Julho de 2011, 07h:30 - A | A

EDUCAÇÃO PELO BOLSO

Implantação dos radares na Capital divide opiniões de motoristas

Maioria dos motoristas avalia como positiva a colocação de equipamentos nas principais avenidas; processo de licitação de compra dos 'pardais' começa ainda em julho e a implantação será no final de novembro

ALIANA F. CAMARGO
aliana@hipernoticias.com.br

Imagem da Internet
Radar eletrônica é a maneira encontrada pela Prefeitura de Cuiabá para diminuir a violência no trânsito

A implantação dos radares eletrônicos em vias movimentadas de Cuiabá está deixando taxistas e motoristas desconfiados quanto a eficácia dos equipamentos na conscientização do trânsito da Capital nos aspectos de educação e quanto a multas que serão geradas.

A reportagem procurou saber dos trabalhadores do trânsito e motoristas comuns o que achavam da implantação dos radares previsto para começar a operar no dia 30 de novembro.

Para o taxista Paulo Rondon, que lembra de muitas multas que levou na época em que os equipamentos operavam em Cuiabá, de 1995 a 2002, os instrumentos devem ter manutenção rigorosa. “Uma vez tomei uma multa porque o radar estava escondido atrás de uma árvore, foi na rua Jornalista Alves de Oliveira, no bairro Cidade Alta, funcionando de maneira irregular”, comenta.

De acordo com o taxista, a consciência será feita somente nas escolas. “Adulto é difícil de conscientizar, tem que começar quando se é criança”.

Antônio Amorim, taxista desde 1969, diz que a imprudência no trânsito está cada vez maior e aponta que falta compreensão. “Eu acho que o radar não vai resolver a falta de compreensão, vai ser só uma fábrica de dinheiro, já teve uma vez e foi assim”.

Na questão de diminuir acidentes, o taxista Adair Zanatta também acredita que os equipamentos não vão resolver o problema. “Vejo muitos jovens na madrugada disputando racha, já me assustei aqui na avenida do CPA (Rubens de Mendonça) com motos em mais de 150 km por hora, não acho que o radar vai impedir a imprudência dos jovens”, comenta.

Aelson Alves Barbosa, presidente do Sindicato dos Taxistas de Cuiabá, está incrédulo que os radares vão ajudar a diminuir os acidentes de trânsito. “Não acredito que os radares vão diminuir para nós é só arrecadação de dinheiro”, comentou.

De férias em Cuiabá, o fisioterapeuta Tiago Hubner, da cidade de Londrina, Paraná, diz que em sua cidade foi implantada o sistema eletrônico e resolveu os problemas de imprudência da cidade. “Londrina tem mais de 1 milhão de pessoas, o trânsito lá era igual aqui e mudou muito depois dos radares que ficam em todos os sinais das principais vias. Eu tenho medo de atravessar a ruas aqui porque os motoristas e motoqueiros furam o sinal vermelho”, observa.

Motorista há mais de 40 anos, Maria Santiago diz que nunca se envolveu em acidentes, com a implantação dos pardais ela acredita que o trânsito que é mal educado na Capital, vai ser transformado. “O meu filho de 30 anos não acredita que vai mudar, mas se e não tem educação o trânsito deve ser educado pelo bolso”, avalia.

Mario de Sousa Silva também compartilha a ideia da melhora no trânsito, mas defende uma campanha ampla de conscientização para que as sinalizações não se tornem pegadinhas “Tudo deve ser bem gerido e sinalizado, se não vira pegadinha do trânsito”.

Todos os motoristas comuns defendem a implantação, ao mesmo tempo em que questionam a transparência da gestão. Tiago Hubner acredita que existe a indústria da multa porque vive-se num país altamente corrupto. Maria Santiago também acha que pode ter uma fábrica de multas como mais uma fonte de arrecadação para o Município, já Mário Silva apoia a implantação, mas com um gestão séria: “Na primeira vez que Cuiabá teve os equipamentos, não havia uma sinalização séria para saber onde estavam os radares, deve-se colocar letras grandes”, comenta.

REALIDADE

O inchaço da frota de carros na Capital e a falta de consciência no trânsito por parte de muitos jovens, faixa etária que mais se envolve em tragédias nas ruas do Brasil, faz com que a prefeitura utilize os pardais como forma de reverter o quadro de acidentes nas principais vias da cidade. Para saber sobre as violência no trânsito na Capital, clique aqui.

O Ministério da Justiça divulgou em fevereiro deste ano,  que houve um aumento de 32,4% nas mortes de jovens em decorrência de acidentes de transporte no Brasil, no período de 1998 a 2008, enquanto no total da população o índice foi de 26,5%.

Os gastos com vitimização no trânsito no Brasil, segundo a pesquisa, é de R$ 28 bilhões por ano. A ideia da implantação do pardal eletrônico, segundo a Prefeitura de Cuiabá é implementar um sistema de combate ao descumprimento das leis de trânsito.

IMPLANTAÇÃO

A Prefeitura e Ministério Público firmaram termo de ajustamento de conduta (TAC) para a implantação de radares eletrônicos em Cuiabá. O TAC foi assinado no 13 deste mês pelo prefeito em exercício, Júlio Pinheiro, e o promotor Ezequiel Borges, da 6ª Promotoria da Cidadania.

Julio Pinheiro disse que o maior objetivo dos radares “não é apenas multar, mas disciplinar o trânsito na Capital”. O promotor Ezequiel Borges também defende a implantação dizendo que “só com a clocação dos radares podemos ter possibilidade de diminuir a violência no trânsito da capital”.

Para o promotor, Cuiabá não pode mais continuar figurando como uma das cidades brasileiras com maior índice de acidentes e mortes no trânsito.

Os radares serão instalados em pontos com maior índice de acidentes na capital, entre eles as avenidas Fernando Corrêa da Costa, Miguel Sutil e Historiador Rubens de Mendonça.

A definição dos pontos onde estarão os radares ficará a cargo do técnicos da SMTU  (Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes).

A responsabilidade pelo gerenciamento do sistema será da prefeitura. O o processo licitatório para a compra do novo sistema e dos equipamentos inicia ainda neste mês de julho.

Antes do novo sistema de radares eletrônicos começar a funcionar, será realizada uma campanha de esclarecimento da população, durante um período de 30 dias.

POSIÇÃO CONTRÁRIA

O deputado Sérgio Ricardo que entrou em 2002 com ação na Justiça para anular 241 mil multas emitidas entre 1995 e 2002, foi procurado para tratar do caso, mas até o momento não se posicionou.

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Carlos 28/07/2011

Estes três pontos de maior incidência de acidentes são avenidas feitas para alta velocidade, com poucas esquinas e semáforos. É muito conveniente para os cofres desta prefeitura mal gerida colocar radares. Com mais esquinas, dotadas de semáforos e faixas de pedestres, teríamos um transito com mais cidadania, mas isto não interessa para o prefeito porque anularia a desculpa para arrecadar mais com está indústria de multas.

João Bosquo 28/07/2011

Acredito que motoristas, de um modo geral, são contra os radares, principalmente aqueles que não gostam de respeitar as leis de trânsito, para não alimentar a 'indústria da multa'. E os pedestres???, são favoráveis a implantação de radar??? Claro, que são. Nós-outros, por exemplo, não temos nada contra, ao contrário...

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