A professora aposentada e escritora, Janete Carvalho, de 65 anos de idade, relata que as ameaças feitas pelo pai foram determinantes para que permanecesse em silêncio diante dos abusos sofridos na infância. Entre as intimidações, ela conta que ele ameaçava matar sua mãe com um prego na cabeça e dizia que ninguém descobriria a causa da morte.
"Meu pai ameaçava matar minha mãe. Ele falava: 'sua mãe pode não amanhecer", lembra a escritora.
O medo foi a forma de manipular Janete dos oito aos 15 anos. As ameaças eram enviadas por recadinhos ou sussuradas após os abusos. Além de temer pela própria segurança, ela se calou para que a mãe e irmãos não fossem afetados.
O divórcio dos pais também era usado para pressionar Janete. O pai afirmava que a família poderia se separar e todos passariam fome. "Isso aqui é um segredo. Se você disser alguma coisa e a sua mãe tomar uma atitude contra mim, a gente pode se separar, todo mundo pode passar fome", dizia o pai, conforme Janete.
Apenas aos 65 anos, Janete conseguiu compartilhar a própria história. A superação do trauma ilustra as páginas do livro 'Entre o Medo e a Palavra'.
Para elaborar o trauma foram necessários cinco anos de terapia. Junto ao psicólogo ela identificou que também carregava o medo de não acreditarem na criança violentada. Por isso, Janete usa sua história de vida para dar coragem às vítimas que enfrentam situações semelhantes.
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