O Conselho Estadual de Direitos Humanos de Mato Grosso (CEDH/MT) recebeu, entre 10 de outubro e 31 de dezembro de 2025, um total de 454 denúncias encaminhadas pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (Disque 100). Os dados revelam a persistência de violações estruturais que atingem, sobretudo mulheres, crianças, adolescentes e pessoas idosas.
As denúncias evidenciam que a maior parte dos registros envolve violência contra crianças e adolescentes (188), seguida por violência contra pessoas idosas (85) e situações envolvendo pessoas privadas de liberdade (22). Já a violência contra mulheres, embora represente 15 denúncias diretamente classificadas, aparece também de forma transversal em outras categorias, reforçando a complexidade e a subnotificação desse tipo de violação.
No recorte de gênero, o relatório aponta que 208 vítimas eram mulheres, superando os registros envolvendo homens (176). Outras 70 denúncias não tiveram o gênero informado. Para o CEDH/MT, a predominância de vítimas do gênero feminino reflete desigualdades estruturais e a necessidade de políticas públicas mais eficazes de prevenção, proteção e acolhimento.
O relatório também apresenta um panorama racial que reforça a dimensão estrutural das violações. Entre as vítimas, 208 foram identificadas como pardas, 149 como brancas, 56 como pretas, além de registros pontuais envolvendo pessoas amarelas (4) e indígenas (1). Outros 36 casos não tiveram raça/cor informada. Para o Conselho, a predominância de vítimas pardas e pretas evidencia o impacto do racismo estrutural e institucional na produção das violências, ao mesmo tempo em que a ausência de informação em parte dos registros aponta para limitações no processo de autodeclaração e na coleta de dados.
O relatório também destaca que, em 2025, Mato Grosso registrou 3.603 protocolos de denúncias no Disque 100, mantendo o elevado volume observado em 2024 (3.854). Para o Conselho, os números reforçam a importância do canal como instrumento de visibilização das violações e de fortalecimento do controle social.
A análise territorial mostra que mais da metade dos municípios mato-grossenses registraram ao menos uma denúncia no período, evidenciando que as violações não se concentram apenas nos grandes centros urbanos. O CEDH/MT reforça que os dados devem orientar ações descentralizadas e políticas públicas intersetoriais para enfrentar as desigualdades que sustentam essas violações.
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