Quinta-Feira, 04 de Junho de 2020, 14h:20

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Denúncia acusa estudantes brancas e asiática da UFMT de usarem cotas para negros

Por: KHAYO RIBEIRO

Uma nova denúncia de fraudes raciais foi apresentada à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Desta vez, sete universitárias - sendo seis brancas e uma asiática - foram acusadas de se apropriarem de forma indevida de cotas destinadas para pessoas negras. Em 2019, caso similar foi protocolizado na instituição e as partes envolvidas tiveram as matrículas canceladas.

GUARITA UFMT

 Registro interno da UFMT

A denúncia foi encaminhada à ouvidoria da universidade na manhã desta quinta-feira (04). O HNT/HiperNotícias entrou em contato com a UFMT, que confirmou o recebimento da demanda. A instituição assegurou que, caso comprovadas as acusações, as estudantes poderão ser expulsas.

"A Instituição também esclarece que quaisquer casos, mesmo que a denúncia seja feita após a efetivação da matrícula, são passiveis de punição com a perda da vaga, se for comprovada a fraude. Desde o ingresso para as turmas de 2019, a UFMT conta com uma comissão de verificação da autodeclaração étnico-racial, que atua durante o período de matrículas, com o objetivo de garantir o direito dos estudantes às cotas", apontou a UFMT.

A demanda foi levada à universidade pelos administradores do perfil @fraudadoresmt, do Twitter. Criada recentemente, a página tem como objetivo denunciar situações de fraudes em cotas universitárias.

A acusação lista um grupo de sete estudantes dos cursos de Medicina, Enfermagem e Psicologia que teriam entrado na universidade por meio de cotas do tipo L2 (destinadas a negros com renda de até 1,5 salário mínimo) e L6 (destinadas a negros independentemente da renda).

No pedido, os denunciantes - que optaram por se manterem anônimos - solicitam à UFMT que sejam tomadas as devidas medidas para que as vagas sejam resguardas para seus detentores por direito, a população negra.

À reportagem, um dos responsáveis pela página apontou que a intenção é que sejam verificadas, inclusive, as pessoas que se apropriaram das cotas raciais e já estão na universidade há algum tempo, situação que supostamente seria a denunciada nesta quarta-feira.

“Após contas no Twitter em todo o Brasil serem criadas com esse objetivo. Ontem, uma pessoa entrou em contato sugerindo para que fizéssemos um Twitter para receber denúncias das fraudes nas cotas aqui em Mato Grosso. Para que sejam oficializadas de alguma forma e possam dar visibilidade a essas fraudes dentro das universidades. A intenção é verificar também as pessoas que já entraram e estão ocupando as vagas que não são suas por direito. A universidade deve perceber que o sistema foi burlado”, disse o denunciante, que confirmou que uma denúncia também será oferecida ao Ministério Público Federal (MPF).

Um problema antigo

Denúncias semelhantes foram feitas no início de 2019, quando seis estudantes da UFMT também foram acusados de se utilizarem de cotas raciais de forma indevida. À época, o MPF instaurou um procedimento para apurar o caso e, posteriormente, os acusados perderam as vagas na universidade.

A situação denunciada nesta quarta-feira se difere do passado pelo fato de as acusações de agora pesarem contra estudantes que já estão matriculados e integrados há algum tempo dentro da universidade. Em 2019, os denunciados eram calouros da instituição.

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