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Cidades Domingo, 17 de Julho de 2016, 08:31 - A | A

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Domingo, 17 de Julho de 2016, 08h:31 - A | A

NÃO TEM CAMPO, MAS TEM TÍTULOS

Cuiabá Arsenal completa 10 anos de luta para popularizar o futebol americano no Brasil

RAYANE ALVES

Febre nos Estados Unidos, o futebol americano ainda está 'tomando campo' no Brasil e vem conquistando novos fãs a cada partida. Prova disso é o Cuiabá Arsenal, que completou 10 anos em abril deste ano, mas ainda enfrenta muitas dificuldades para manter o time 'em pé' para a torcida aplaudir. 

 

Assessoria

Cuiabá Arsenal

 

O público cuiabano tem demonstrado grande receptividade para essa modalidade, e ajuda o fato de o Arsenal ser um dos melhores times do Brasil, vencendo títulos nacionais em 2010 e 2012, títulos estaduais de 2015 e 2016, entre vários outros campeonatos.

 

Presidente do time e ex-jogador, Paulo César Machado conta que mesmo com a falta de estrutura, os jogos do Cuiabá Arsenal conseguem colocar 15 mil torcedores para a Arena Pantanal. Às vezes é até mais público assistindo a partida da bola oval do que em um jogo da tradicional bola redonda brasileira.

 

“Temos as melhores transmissões e times. Isso prova que o futebol americano foi abraçado pela população cuiabana, e mostra que o estado é um celeiro de atletas, desde que as instituições façam trabalho sério. O futebol americano pode crescer em Mato Grosso, mas nós precisamos de apoio de instituições privadas, públicas, associações e federações, porque um evento bem organizado leva público”, comentou.

 

Assessoria

arsenal

 

Só que para fazer bonito em frente ao público os jogadores do Cuiabá Arsenal têm que arcar com os próprios gastos e, às vezes, até organizar 'vaquinha'. É que o time hoje só conta com três patrocinadores, que bancam os custos de viagem. O treino então é uma dificuldade, já que o Arsenal não tem um espaço próprio.

 

“É uma coisa triste de se falar. Completamos 10 anos, com dois títulos nacionais, no entanto, não temos local para jogar. Somos nômades para treinamento. Um dia estamos em Várzea Grande outro em Cuiabá”, comentou.

 

“A gente joga com grande potencial, mas fico imaginando que se tivéssemos um local fixo para treinar e jogar, nossa projeção em campo seria muito melhor. Não estou pedindo dinheiro para o Arsenal, e sim condições básica para os jogadores, que são amadores, fazem isso por paixão, e não ganham um centavo. Agora imagina se eles pudessem unir amor e estrutura adequada”.

 

Para Paulo, outro coisa que poderia favorecer a estimativa de vida do time seria a participação do governo de Mato Grosso, em todas as competições.

 

“O governador nos apoiou na última partida, mas, em contra-partida, o Arsenal doou mil ingressos sociais e uma camiseta do Corinthians para ser leiloada em uma instituição de caridade. Aqui acontece diferente de outros clubes, que recebem apoio. A nossa realidade, caso ninguém tirasse dinheiro do bolso, seria não participar”.

Divulgação

Cuiaba arsenal

O presidente do Arsenal aponta ainda que Mato Grosso poderia investir na educação através do esporte, assim como é feito nos Estados Unidos, onde as crianças e adolescentes são captadas no colegial e, além do treinamento na modalidade esportiva que mais têm aptidão, recebem bolsas de estudo.

 

“Dá para contar nos dedos os esportistas que têm segundo grau no Brasil. Se tivesse uma universidade onde eles pudessem estudar e treinar, caso o esporte não desse certo, eles iriam poder atuar na área e diminuir o número de jovens que estão indo para as ruas praticar crimes”.

 

Alex Drobnicki

Time Arsenal

 

FUTEBOL AMERICANO

O futebol americano na sua forma atual surgiu de uma série de três jogos entre a Harvard e a McGill, de Montreal, em 1867. Os jogadores de McGill jogavam segundo as regras do rugby, ao passo que os de Harvard jogavam o jogo de Boston, mais próximo do futebol europeu.

 

Em Cuiabá, o futebol americano surgiu em 2002, em uma reunião com vários amigos, no campo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Foram quatro anos praticando o esporte por brincadeira até os participantes decidirem montar o Cuiabá Arsenal, sendo o nome em homenagem a cidade e o arsenal de guerra, que hoje é o Sesc Arsenal.

 

Entre a modalidade infantil, adolescente e adulto, são 350 atletas no Arsenal. Todo ano é feita uma nova seleção para quem tem interesse em jogar no clube. Neste ano, 405 atletas se escreveram, mas apenas 60 continuam disputando uma vaga na etapa final do seletivo. A grande maioria porque pensava que o futebol americano era um esporte fácil, mas depois vêem "que o buraco é mais embaixo".

  

Rogério Florentino Pereira

Arsenal

 

“Não é apenas colocar equipamento e pensar que está aprovado para dar porrada. Futebol americano é trabalho em equipe que exige técnica antes da troca do contato físico. Antes de bater ou atropelar o adversário o atleta precisa primeiro cair”, conta Paulo, explicando que 50% do futebol americano é físico e 50% é estudo/estratégia.

 

Com 19 anos, 1,90 de altura e 105 kg, o jogador ofensivo Marlon Correa da Silva sabe bem o esforço que o esporte exige. Ele estreou no clube neste ano e precisa dedicar quatro dias da semana para os treinos, fora o tempo que gasta na academia.

 

Na avaliação do jogador, todos os colegas de campo são vitoriosos, porque nenhum deles consegue sobreviver do futebol, apesar de sonhar que um dia possa desfrutar do suor do trabalho e conquistar o carinho do público como fã.

 

“Eu treino quatro vezes por semana, mas ainda tenho uma barraca de lanche para dividir meu tempo. Nessa modalidade, assim como em outras do esporte, todo treino e qualificação de um atleta é fundamental. Atleta que é atleta não disputa com os outros e sim com ele mesmo, para buscar superar os seus limites”, falou.

 

Apesar da rotina árdua que enfrenta de segunda a segunda e do esforço para conciliar esporte e trabalho, Marlon conta que tudo é válido, porque quando entra em campo e a plateia vibra “é como se a nossa bateria carregasse para lutar muito mais pelo nosso Arsenal”.

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