ASSISTA AO HNT ENTREVISTA COM PAOLLA SILVA
Fazer dieta, praticar atividade física, emagrecer e, ainda assim, continuar com braços e pernas desproporcionais ao restante do corpo pode ser mais do que uma dificuldade para perder gordura localizada. Segundo a biomédica Paula Silva, esses são alguns dos principais sinais do lipedema, doença inflamatória crônica que afeta principalmente mulheres e ainda é cercada por desinformação.
Ao HNT Entrevista, a especialista explicou que muitas pacientes chegam ao consultório acreditando que sofrem apenas com celulite ou excesso de peso, quando, na verdade, apresentam uma condição que compromete também a circulação sanguínea e o sistema linfático.
Lipedema vai muito além de uma gordura acumulada
"As pessoas que não sabem que têm a doença e acham que é apenas celulite ou uma gordurinha localizada. E não é, porque o lipedema vai muito além de uma gordura acumulada no tecido", afirmou.
De acordo com Paula, além do acúmulo desproporcional de gordura em braços e pernas, o lipedema provoca um processo inflamatório crônico que favorece retenção de líquidos, alterações vasculares, dores, inchaço frequente e hematomas espontâneos. Em estágios mais avançados, podem surgir nódulos de fibrose, frequentemente confundidos com celulite.
"Não é só uma questão de gordura. Também envolve o sistema linfático, retenção de líquidos e comprometimento da circulação. Dependendo do estágio, a paciente apresenta muitos hematomas e sente dores constantes", explicou.
A biomédica lembrou que, embora o lipedema tenha sido reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e atualmente possua Código Internacional de Doenças (CID), muitas mulheres ainda enfrentam dificuldades para obter diagnóstico e tratamento.
O estrogênio interfere no acúmulo da gordura
Os impactos da doença, conforme a especialista, vão muito além da aparência física. A condição evolui, as pacientes podem perder qualidade de vida, apresentar dificuldade para caminhar e conviver diariamente com dores, o que também afeta a saúde emocional.
A especialista ressaltou ainda que o lipedema tem forte relação com alterações hormonais, motivo pelo qual é muito mais frequente em mulheres. Os períodos de maior risco são a puberdade, a gestação e, principalmente, a menopausa.
"Os estudos mostram que uma das principais causas está relacionada aos hormônios. Pela experiência clínica, observo um número muito maior de casos durante a menopausa. O estrogênio interfere tanto no acúmulo da gordura característica do lipedema quanto nas alterações da circulação e até na dificuldade para emagrecer", concluiu.
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