No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) reforça um alerta urgente: o trabalho escravo contemporâneo atinge de forma desproporcional as mulheres negras, revelando como racismo e desigualdade de gênero se entrelaçam na exploração invisível.
Dados oficiais mostram que, em 2025, 2.772 pessoas foram resgatadas de condições análogas à escravidão. Embora os homens sejam maioria, 14% das vítimas eram mulheres, e 83% se autodeclararam negras. Esse recorte evidencia desigualdades estruturais profundas.
A exploração ocorre tanto no meio rural, em setores como pecuária, café e cana-de-açúcar, quanto no urbano, onde o trabalho doméstico análogo à escravidão permanece invisibilizado. Muitas mulheres negras são submetidas a jornadas exaustivas, sem remuneração adequada, privadas de educação e de liberdade.
Além disso, a exploração sexual e o tráfico de pessoas atingem majoritariamente mulheres negras, em contextos de coerção, dependência econômica e ausência de alternativas. Muitas vezes, essas violações são encobertas por narrativas que naturalizam a violência ou confundem exploração com “favor” ou “prostituição voluntária”.
“Dar visibilidade ao trabalho escravo doméstico e a outras formas de exploração que atingem majoritariamente mulheres, especialmente mulheres negras, é fundamental para enfrentar desigualdades históricas e fortalecer políticas públicas de proteção”, afirma Paulo Funghi, coordenador-geral de Erradicação do Trabalho Escravo do MDHC.
O enfrentamento exige fortalecer canais de denúncia como o Disque 100, capacitar agentes públicos e garantir apoio às vítimas com moradia, renda e acompanhamento psicossocial.
Neste 8 de março, o MDHC reafirma: não há igualdade de gênero sem enfrentar o racismo estrutural e proteger mulheres negras da exploração e da violência.
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