O líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo, está sendo investigado no âmbito da Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira, 23, que apura suspeitas de fraude contábil e financeira envolvendo o Banco Digimais. Embora não tenha sido alvo de mandados de busca e apreensão por residir fora do Brasil, Macedo é citado pelos investigadores como controlador da instituição.
A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 670 milhões em bens e valores de investigados. As defesas não foram localizadas, o espaço segue aberto.
Nascido em 1945, no Rio de Janeiro, Macedo fundou a Igreja Universal em 1977. A denominação se tornou uma das maiores igrejas neopentecostais do País e expandiu sua atuação para dezenas de países, reunindo milhões de fiéis.
Paralelamente à atividade religiosa, construiu um conglomerado empresarial que inclui o Grupo Record, responsável pela Record TV e outras empresas de comunicação, além de investimentos no setor financeiro, entre eles o Banco Digimais.
Ao longo de sua trajetória, esteve envolvido em disputas judiciais e investigações. Em 1992, foi preso sob acusações de estelionato, charlatanismo e curandeirismo, mas acabou libertado dias depois por decisão judicial. O caso foi posteriormente arquivado.
Em 2009, o Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia por suspeitas de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha envolvendo integrantes da Igreja Universal e empresas ligadas ao grupo em um processo que teve desdobramentos ao longo dos anos.
Mais recentemente, em 2024, Macedo foi condenado em primeira instância pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul ao pagamento de indenização por danos morais coletivos em razão de declarações consideradas homofóbicas feitas durante um programa de televisão exibido em 2022. Na decisão, a Justiça entendeu que houve associação entre homossexualidade e comportamento criminoso, caracterizando discurso de ódio.
Entre os principais marcos de sua trajetória está a inauguração do Templo de Salomão, em São Paulo, em 2014, considerado uma das maiores construções religiosas do país.
Macedo é casado com Ester Bezerra e tem dois filhos, Cristiane Cardoso e Moisés Macedo, que também atuam em atividades ligadas ao grupo empresarial e à Igreja Universal.
Na Operação Miragem, a Polícia Federal apura suspeitas de que o Banco Digimais tenha recorrido a fundos de investimento para mascarar perdas bilionárias. Entre os alvos dos mandados de busca e apreensão estão dirigentes da instituição financeira, incluindo o bispo João Urbaneja e outros executivos ligados à administração do banco.
(Com Agência Estado)
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