Terça-feira, 26 de Maio de 2026
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

00:00:00

image
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png

00:00:00

image
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

Brasil Terça-feira, 26 de Maio de 2026, 20:30 - A | A

facebook instagram twitter youtube whatsapp

Terça-feira, 26 de Maio de 2026, 20h:30 - A | A

Quais são as cidades mais violentas do Brasil?

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Noventa e nove cidades reuniram metade dos homicídios cometidos no Brasil em 2024. Isso é o que aponta o Atlas da Violência, estudo realizado anualmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O número equivale a apenas 1,8% dos municípios do País.

Maranguape, no Ceará, é a cidade com maior taxa de homicídios estimados do País, com 87,2 casos para cada 100 mil habitantes. A menos de 30 quilômetros de Fortaleza, a cidade é alvo de disputas entre facções, como já mostrou o Estadão.

Em nota, Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará afirma que municípios cearenses mencionados no estudo como os mais violentos tiveram queda nos homicídios e em crimes contra o patrimônio no período recente. Já a Secretaria da Segurança Pública da Bahia, que também abriga algumas das cidades mais perigosas, afirma que os assassinatos têm caído por lá.

A pesquisa aponta que o Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, o equivalente a uma queda de 6,9% em relação ao ano anterior. Apenas Maranhão (7,6%) e Ceará (5,2%) apresentaram aumento em relação a 2023, enquanto não houve oscilação em São Paulo. De resto, todas as outras unidades federativas tiveram melhora no indicador.

Marcados pela consolidação de facções como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) nos últimos anos, Norte e Nordeste seguem concentrando não só as maiores taxas de homicídios do País, como também os municípios mais violentos. Quatro das 10 cidades mais violentas ficam no Ceará e outras seis da Bahia.

No topo da lista, apareceram, além de Maranguape, cidades como Jequié (BA), com taxa de 79,4 assassinatos estimados para cada 100 mil habitantes, Maracanaú (CE), com taxa de 74,1, Itapipoca (CE), com taxa 74,0, e Caucaia (CE), com taxa 72,9.

Juntos, os 10 municípios com as maiores taxas de homicídios responderam por 19,4% do total nacional. "Trata-se de um padrão que reforça o diagnóstico de que a violência letal no País está longe de se distribuir uniformemente pelo território", afirmam os pesquisadores.

O estudo, divulgado nesta terça-feira, 26, destaca ainda que metade dos 20 municípios mais violentos com 100 mil habitantes ou mais fica na Bahia - Salvador, inclusive, é a única capital nessa listagem, com taxa de 52,7 assassinatos para cada 100 mil habitantes.

Ao mesmo tempo, as capitais com os menores índices de assassinatos estimados são Florianópolis (9,7), Brasília (10,9), Curitiba (13,2) e Goiânia (14,7). Na quinta posição aparece São Paulo (15,3).

Um quarto dos municípios não teve homicídios

O estudo indica que 1.578 dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros não registraram qualquer homicídio estimado no ano. "A distribuição das taxas mostra assimetria importante: a média nacional municipal foi de 20 homicídios por 100 mil habitantes, ao passo que a mediana ficou em 15,3, sinalizando que um subconjunto relativamente pequeno de municípios com taxas muito elevadas puxa a média para cima", indicam os pesquisadores.

Em média, a taxa dos 20 municípios mais violentos foi aproximadamente 64,7 homicídios por 100 mil habitantes, ao passo que a dos 20 menos violentos ficou em torno de 4,9. "A diferença na prevalência de homicídios entre o grupo dos mais violentos e dos menos violentos é equivalente à diferença das taxas de homicídio entre o Brasil e a Europa", diz o estudo.

Conforme o Atlas, em 2024, os municípios de médio porte, com população entre 100 mil e 500 mil habitantes, apresentaram a maior taxa média de homicídios estimados (24,1), superando tanto os municípios grandes (23,2), quanto os pequenos (19,7). A mediana ficou em 20,1 entre os médios, 21,0 entre os grandes e 14,8 entre os pequenos.

"Nos municípios pequenos, a interpretação das taxas exige cautela, já que eventos pontuais podem inflar fortemente o indicador em localidades de baixa população. Mesmo assim, alguns padrões merecem atenção", ponderam os pesquisadores.

Como mostrou o Estadão recentemente, o município de Rio Claro, com cerca de 200 mil habitantes, tem assistido a uma escalada de violência nos últimos anos. Integrantes do Comando Vermelho têm inclusive saído do Rio para ir até a cidade do interior paulista para executar traficantes rivais do PCC, apontam investigações policiais.

Para Daniel Cerqueira, pesquisador do Ipea e coordenador do Atlas da Violência, os dados deste ano indicam que a violência tem passado por um processo de "interiorização", gerando insegurança inclusive para populações indígenas, sobretudo em regiões de fronteira na Amazônia - são locais considerados rotas estratégicas para importação de cocaína de países vizinhos, como Peru e Colômbia.

Conforme o Atlas, em 2024, a taxa registrada de homicídios entre indígenas foi de 24,6 por 100 mil habitantes, valor 22% superior à taxa nacional de 20,1. No Amazonas, o número de homicídios de indígenas dobrou em apenas um ano, passando de 36 casos em 2023 para 73 em 2024, resultando em um aumento de 123,4% na taxa de letalidade.

O que são homicídios estimados e qual a importância desse dado?

O Atlas da Violência, lançado há uma década, tem o objetivo de retratar a violência no Brasil principalmente a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

É uma metodologia diferente da utilizada em outras publicações de relevância, como o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que já tabulou os dados de homicídios de 2024, mas que, para tal, se baseou nos dados das forças policiais.

"Ter essas duas bases de dados (da saúde e da polícia) boas, com qualidade, é fundamental para a gente fazer um bom diagnóstico, para fazer políticas efetivas", afirma Daniel Cerqueira. O Atlas divulgado nesta terça-feira, 26, apontou, porém, um cenário que gerou preocupação nos pesquisadores. "O número de mortes violentas indeterminadas é o recorde histórico. Foi de 13.896, em 2023, para 17.207, em 2024", acrescentou.

As mortes violentas por causa indeterminada, as chamadas MVCI, são uma classificação utilizada quando o Estado não consegue identificar a causa básica do óbito - se decorrente de acidentes, suicídios ou homicídio -, o que pode prejudicar o entendimento do cenário.

Segundo Cerqueira, não se sabe exatamente os motivos que levaram ao aumento expressivo, de mais de 23%, desse indicador em 2024. Mas, em geral, duas razões levam a essa alta: a incapacidade de elucidação de determinados casos e problemas relacionados à troca de informações entre órgãos governamentais.

Para dimensionar os impactos desse problema, os pesquisadores à frente do Atlas desenvolveram, eles próprios, um modelo que permite estimar, por meio de técnicas de machine learning (aprendizado de máquina), quantas dessas mortes violentas por causas indeterminadas podem ter sido "homicídios ocultos".

"A gente olha as pessoas que morreram por morte violenta e as características das vítimas e também do incidente em si", afirma Cerqueira. A partir desse conjunto de variáveis, o modelo indica quais casos podem ter sido assassinatos na prática, driblando possíveis subnotificações. O cálculo não é inédito - já foi feito também em outras edições da pesquisa - o que permite também comparar os dados com outros anos.

O Atlas estima que, em 2024, o Brasil teve 7.083 casos de homicídios ocultos, alta de 88,6% em relação aos cerca de 3,7 mil registros do ano anterior. Com isso, a taxa desse indicador para cada 100 mil habitantes saltou de 1,8 para 3,3. Como consequência, os homicídios ocultos passaram a responder por 14,3% dos homicídios estimados em 2024 - em 2023, essa parcela era de 7,6%.

Diante disso, os pesquisadores calculam que, no ano de análise, o Brasil pode ter tido, na verdade, 49.673 homicídios estimados, que correspondem à soma entre os casos oficialmente registrados e os homicídios ocultos. O número representa um leve aumento em relação às 49,5 mil ocorrências estimadas de 2023, com uma variação de 0,3%.

Ao mesmo tempo, a taxa de homicídios apresenta queda de 0,4%, caindo de 23,5 para 23,4 assassinatos para cada 100 mil habitantes. "É uma queda histórica que estamos vivenciando, mas que, principalmente neste último ano (de análise) acabou ficando um pouco na sombra da piora da qualidade dos dados", afirma Cerqueira.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará afirma que, neste ano, com os investimentos realizados pela gestão estadual e a intensificação das ações policiais, os municípios cearenses mencionados no estudo apresentaram diminuição nos índices de mortes por crimes violentos e de crimes contra o patrimônio, além de apresentar aumento nas apreensões de armas de fogo e prisões.

A pasta afirma que em Maranguape, cidade com a maior taxa de homicídios estimados em 2024 do País (87,2), a diminuição dos crimes violentos letais e intencionais (CVLIs) foi de 95,8% de janeiro a abril deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. Em municípios como Maracanaú e Caucaia, houve reduções de 90,4% e 39,1%, respectivamente, ainda segundo a secretaria.

"Considerando os CVLIs do quadrimestre em todo o Ceará deste ano, foram 346 crimes a menos, em comparação com o primeiro quadrimestre de 2025. Nos quatro primeiros meses de 2026, aconteceram 585 mortes violentas, contra 931 ocorrências no mesmo período do ano passado, uma redução de 37,2%", acrescenta.

Já a Secretaria da Segurança Pública da Bahia afirma que, conforme os registros policiais, as mortes violentas apresentaram reduções consecutivas nos últimos três anos (2023, 2024 e 2025) no Estado. "Em 2024 (ano base da pesquisa), a polícia contabilizou uma queda de 8,7% nos registros de crimes graves contra a vida (homicídio, latrocínio e lesão dolosa seguida de morte)", afirma, em nota.

A pasta acrescenta que, em pouco mais de três anos, 9,5 mil policiais, peritos e bombeiros foram contratados, além da construção de novas estruturas, aquisição de viaturas, armamentos e softwares de investigação. "A SSP enfatiza que as ações de combate à criminalidade continuarão norteadas pela inteligência e intensificadas em todo o território baiano", diz a secretaria.

(Com Agência Estado)

Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.

Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.

Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM  e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.

Comente esta notícia

Algo errado nesta matéria ?

Use este espaço apenas para a comunicação de erros