Os docentes estão em campanha salarial e pedem reajuste nos vencimentos. Contudo, entre as pautas, está também a retomada das negociações da reitoria com os alunos, incluindo um avanço na proposta do reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe) e a não criminalização do movimento estudantil.
Os professores contestam o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), que determina o reajuste salarial de 3,47%, que corresponde à inflação dos últimos doze meses medida pelo IPC-Fipe.
A Adusp apresentou uma contraproposta: reajuste pelo IPCA, medido pelo IBGE, que atingiu 4,39% nos últimos doze meses, mais 3%, primeiro passo de um processo de recuperação das perdas salariais, tendo como referência o poder de compra de maio de 2012.
Durante a assembleia, chegou a ser levantada a hipótese de uma paralisação nesta terça, 26, seguida de indicativo de greve. A opção, no entanto, foi vencida pela opção de paralisar as atividades de maneira imediata.
Demanda estudantil
Os estudantes aprovaram a paralisação em 14 de abril. Liderado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), o movimento acompanhou a mobilização de servidores, que também cruzaram os braços no mês passado em protesto contra uma gratificação anunciada pela universidade exclusivamente para professores.
Após pressão e mobilização, os servidores conseguiram avanços salariais e encerraram a paralisação. Os estudantes, porém, decidiram manter a greve e passaram a concentrar esforços em suas próprias reivindicações.
A principal demanda é o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe), que atualmente oferece benefícios que vão R$ 335 para estudantes residentes em moradia estudantil a R$ 885 para auxílio integral.
A USP propôs um reajuste baseado no índice IPC-FIPE. Dessa forma, o auxílio integral passaria para R$ 912 mensais, enquanto o auxílio parcial para estudantes com moradia subiria para R$ 340. A proposta, no entanto, é considerada insuficiente pelos estudantes, que defendem um reajuste para R$ 1.804, valor equivalente ao salário mínimo paulista.
Além disso, os estudantes criticam questões estruturais da universidade, como a gestão do restaurante universitário, conhecido como "Bandejão", a moradia estudantil e a situação do Hospital Universitário (HU), que, segundo manifestantes, perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários na última década.
A reitoria abriu três rodadas de negociação com os estudantes, mas, diante da rejeição da proposta apresentada, decidiu encerrar unilateralmente as conversas, gerando insatisfação entre os grevistas.
O reitor da USP, Aluísio Segurado, chegou a dizer que os valores apresentados eram a última proposta que a reitoria poderia oferecer.
(Com Agência Estado)
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