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Brasil Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026, 22:06 - A | A

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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026, 22h:06 - A | A

ATAQUE XENOFÓBICO

Prefeito compara Nordeste a burro após vitória de Lula e pede desculpas

Walter Schlatter (PP), de Chapadão do Sul, compartilhou montagem em grupo de prefeitos e publicou mensagem contra eleitores do petista; após repercussão, reconheceu o erro e alegou ter agido sob forte emoção

CONTEÚDO G1

REPRODUÇÃO

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O prefeito de Chapadão do Sul (MS), Walter Schlatter (PP), pediu desculpas à população nordestina após compartilhar uma montagem que representa o mapa do Nordeste no formato de um burro. A publicação foi feita depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2026 e enviada a um grupo de mensagens que reúne prefeitos de Mato Grosso do Sul.

Além da imagem, Schlatter publicou uma mensagem na qual criticou os eleitores da região e associou áreas mais pobres à criminalidade e à corrupção política.

“Muito triste a gente ver as regiões mais pobres, onde o crime predomina, onde tem os políticos mais corruptos decidir uma eleição tão importante!”, escreveu o prefeito. Na mesma mensagem, afirmou estar desanimado e decepcionado com a política.

A publicação provocou repercussão negativa. Segundo reportagem do g1, o prefeito apagou a imagem compartilhada no grupo e, na terça-feira (27), divulgou um vídeo nas redes sociais em que reconheceu o erro e pediu perdão às pessoas que se sentiram ofendidas.

Prefeito admite erro e pede perdão

Na retratação, Schlatter afirmou que agiu em um momento de forte emoção e decepção com o resultado eleitoral. Ele reconheceu que a situação exigia um pedido de desculpas, embora tenha dito que não poderia exigir o perdão das pessoas atingidas.

“Errar é humano. Reconhecer o erro é nobre, é humildade. Eu sei que vocês não têm a obrigação de me perdoar, mas eu tenho a obrigação de reconhecer o erro e pedir desculpas”, declarou.

O prefeito também disse estar decepcionado consigo mesmo e afirmou que pretende continuar o trabalho à frente da administração municipal.

“Mais uma vez, desculpa. Estou muito chateado comigo mesmo”, afirmou. Em outro trecho, justificou a publicação pela reação emocional ao resultado das urnas: “No momento de emoção, de decepção, a gente não pensa no que faz”.

Na retratação, Schlatter ressaltou a importância da cultura e da história nordestinas. Também citou iniciativas da prefeitura voltadas à comunidade da região, como o incentivo à criação de um Centro de Tradição Nordestina, a realização de um festival dedicado à cultura nordestina e a participação de artistas em eventos locais.

Prefeito publicou mensagem contra eleitores de Lula

A montagem não foi a única publicação de Schlatter após o resultado das eleições. Na segunda-feira (26), ele divulgou uma mensagem orientando as pessoas a perguntarem em quem alguém votou antes de oferecer ajuda financeira, comida ou esmola.

“Se votou no Lula fale que não vai dar porque a vida dele melhorou”, dizia o texto compartilhado pelo prefeito, conforme o g1.

Schlatter também foi um dos doadores da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula no segundo turno. Segundo os dados citados pelo g1, o prefeito doou R$ 300 mil à campanha do candidato.

Polícia foi questionada sobre possível denúncia

Após a divulgação da montagem, o g1 informou que questionou a Polícia Civil e a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul sobre a existência de denúncia formal relacionada à publicação. Até a última atualização da reportagem, os órgãos não haviam respondido.

A imagem e as mensagens foram descritas nas reportagens como ofensivas e de caráter xenofóbico por associarem uma região e sua população a uma representação depreciativa. Não havia, nas informações divulgadas, confirmação de uma decisão judicial sobre o caso.

O episódio ocorre em meio a relatos de hostilidade contra pessoas por suas escolhas políticas após o segundo turno das eleições presidenciais. Em Mato Grosso, a Polícia Civil também informou investigar a circulação de listas com nomes de empresários, profissionais e estabelecimentos comerciais que seriam alvos de boicote por suposta preferência partidária.

Os episódios são distintos e não há informação que indique ligação entre as investigações.

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