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Brasil Sábado, 04 de Julho de 2026, 17:23 - A | A

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Sábado, 04 de Julho de 2026, 17h:23 - A | A

CONTAS PÚBLICAS

Ministro da Fazenda nega responsabilidade do governo por juros altos e promete ajuste fiscal

Ministro da Fazenda afirma que equipe econômica vai conter gastos, revisar benefícios fiscais e buscar equilíbrio das contas para reduzir a dívida pública

CONTEÚDO G1

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que a política fiscal do governo federal seja a principal responsável pela manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado e afirmou que a equipe econômica intensificará o ajuste das contas públicas nos próximos anos para cumprir as metas fiscais e conter o crescimento da dívida.

Em entrevista ao g1, Durigan afirmou que o debate sobre as contas públicas é importante para a trajetória dos juros, mas disse que esse fator, isoladamente, não explica a manutenção da Selic em níveis elevados.

"O debate fiscal importa para a taxa de juros, mas não é a solução. Essa é a resposta fácil", afirmou o ministro.

Atualmente, a taxa Selic está em 14,25% ao ano. Segundo levantamento da MoneYou, o Brasil possui a maior taxa de juros real do mundo entre 40 países analisados, cenário que, na avaliação do ministro, tem prejudicado investimentos privados e pressionado o endividamento público.

"Hoje, o que machuca a dívida pública é a taxa de juros", declarou.

Ajuste fiscal seguirá nos próximos anos

Durigan afirmou que o governo pretende avançar no ajuste fiscal por meio da contenção de despesas e da revisão de benefícios fiscais, mantendo o compromisso de alcançar as metas estabelecidas pelo novo arcabouço fiscal.

A proposta do governo prevê superávit primário equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, com crescimento gradual das metas nos anos seguintes até atingir 1,5% do PIB em 2030.

Segundo o ministro, também será necessário discutir a redução do crescimento das despesas obrigatórias para preservar espaço no orçamento público, sem abandonar as regras fiscais aprovadas em 2023.

"O Brasil precisa seguir fazendo um esforço fiscal importante para limitar o crescimento da dívida. Tudo o que o Ministério da Fazenda puder fazer para harmonizar a política fiscal com a política monetária será feito", afirmou.

Governo defende tributação dos mais ricos

Durante a entrevista, o ministro voltou a defender mudanças na estrutura tributária, incluindo maior tributação sobre contribuintes de alta renda, revisão de benefícios fiscais e reavaliação de programas públicos.

Por outro lado, afirmou que debates sobre mudanças estruturais, como a eventual desvinculação do salário mínimo dos benefícios previdenciários e alterações nas regras de financiamento da saúde e educação, deverão ficar para a próxima gestão federal.

Governo rebate críticas sobre expansão do crédito

Durigan também rejeitou a avaliação de que programas de crédito lançados pelo governo em ano eleitoral tenham contribuído para dificultar a redução dos juros pelo Banco Central.

Segundo ele, linhas voltadas para financiamento de veículos, caminhões, ônibus, reformas e programas como o Desenrola 2.0 possuem impacto limitado sobre a economia.

"O mercado de crédito brasileiro movimenta cerca de R$ 600 bilhões por mês. Esses programas representam valores muito menores e não têm impacto macroeconômico relevante", argumentou.

Economistas defendem maior controle dos gastos

A avaliação do ministro diverge da análise de parte do mercado financeiro e de economistas, que defendem maior controle das despesas públicas para criar condições para uma redução sustentável da taxa de juros.

Na visão desses especialistas, a combinação entre aumento de gastos públicos e estímulos ao crédito dificulta o trabalho do Banco Central no combate à inflação, exigindo uma política monetária mais restritiva por um período maior.

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