Milhares de pessoas participaram neste sábado (4) do início das cerimônias fúnebres do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, morto em fevereiro durante um bombardeio conjunto realizado por Estados Unidos e Israel. O funeral ocorre em Teerã sob um forte esquema de segurança e é marcado por manifestações contra os dois países.
O caixão de Khamenei foi colocado na Grande Mosalla, um dos principais complexos religiosos da capital iraniana, onde fiéis começaram a chegar ainda durante a madrugada para prestar as últimas homenagens. Vestidos majoritariamente de preto, participantes exibiram bandeiras xiitas, retratos do aiatolá e cartazes com críticas aos Estados Unidos e a Israel.
Durante o ato, manifestantes também entoaram palavras de ordem como "Morte aos Estados Unidos" e "Morte a Israel", além de exibirem faixas com mensagens direcionadas ao presidente americano, Donald Trump.
Cerimônia deve reunir até 20 milhões de pessoas
As autoridades iranianas estimam que entre 15 e 20 milhões de pessoas participem das homenagens apenas em Teerã. O funeral terá duração de seis dias e foi organizado como uma demonstração de força política em meio às negociações diplomáticas entre Irã e Estados Unidos após o encerramento do conflito entre os países.
Para garantir a segurança, a entrada no complexo religioso ocorre mediante revista pessoal e passagem por detectores de metais. Policiais fortemente armados reforçam o patrulhamento nas ruas da capital.
Além do controle de acesso, caminhões-pipa e voluntários distribuíram água aos participantes para amenizar os efeitos das temperaturas superiores a 35°C registradas na cidade.
Procissão seguirá por Irã e Iraque
O corpo de Khamenei permanecerá exposto ao público até segunda-feira (6), quando será realizada uma procissão pelas ruas de Teerã.
Na sequência, o cortejo seguirá por cidades do Irã e do Iraque, incluindo visitas a santuários xiitas, antes do sepultamento marcado para 9 de julho, em Mashhad, cidade onde o líder nasceu.
Ao lado do caixão de Khamenei também estão os corpos de familiares mortos no mesmo ataque, entre eles uma filha, um genro, uma nora e uma neta de 14 meses, segundo autoridades iranianas.
Sucessor não participou da cerimônia
A presença de Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e apontado como seu sucessor após a morte do aiatolá, não foi confirmada. De acordo com informações oficiais, ele teria ficado ferido durante o ataque de fevereiro e, desde então, vem se manifestando apenas por mensagens escritas.
A cerimônia reúne autoridades iranianas, integrantes da Guarda Revolucionária e representantes estrangeiros, em um momento considerado estratégico para o governo iraniano diante do cenário político e diplomático no Oriente Médio.
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