Principal meio de entrada para a Universidade de São Paulo (USP), o exame foi aplicado na tarde do domingo, 1º de novembro, em 88 localidades, com questões que abordaram do cantor porto-riquenho Bad Bunny ao seriado Stranger Things. Cerca de 106 mil pessoas se inscreveram para a primeira fase da prova, que teve a menor taxa de abstenção da história (6,4%).
A questão anulada é a 23 da prova V1 (que corresponde ainda à 3 na prova V2, à 66 na V3 e à 45 na V4). Ao questionar a distância que um navio percorre ao partir de Porto de Galinhas até Luanda, em Angola, o enunciado apresenta um erro na longitude do distrito pernambucano: indica que fica a 35º leste, em vez de oeste.
Ainda no domingo, alguns professores começaram a questionar a imprecisão apresentada na questão. "Leste está certo para a cidade em Angola, mas no caso da localidade em Pernambuco é oeste", disse Vera Lúcia Antunes, coordenadora Pedagógica do Objetivo.
No gabarito oficial, divulgado de noite, a resposta indicada para a questão foi a A. Alguns professores ainda tinham dúvidas se, por conta de o erro estar só no enunciado e haver resposta válida para candidatos que seguissem as coordenadas indicadas, o item seria invalidado. Agora, nota da Fuvest confirma a anulação.
Segundo a entidade, do ponto de vista estritamente matemático, a questão possui, de fato, resposta correta. "Sem a representação em mapa e sem a designação das cidades, que poderiam ter sido chamadas de X e Y, a questão teria cumprido integralmente seu propósito", diz.
Ao mesmo tempo, a Fuvest afirma que, na medida em que exige o manejo interdisciplinar dos temas, o "erro constante do enunciado não comporta escusas". "A circunstância de a questão apresentar um erro de coordenada geográfica mostra-se causa suficiente para sua anulação", afirma.
Na nota divulgada nesta segunda, a entidade aponta ainda que, a partir de agora, compromete-se a submeter as questões interdisciplinares de matemática à revisão criteriosa de especialistas de todas as áreas envolvidas na questão formulada, como já faz nas outras grandes áreas.
A principal novidade deste ano foi que a primeira fase agora tem um número menor de questões de múltipla escolha - em vez das tradicionais 90, passaram a ser 80 questões. O tempo de prova, ainda assim, seguiu sendo de 5 horas de duração.
Segundo a Fuvest, o novo formato acompanha a ampliação da interdisciplinaridade do conteúdo e a preferência por questões que exigem do candidato a capacidade de relacionar conhecimentos de diferentes áreas. O objetivo da 1ª fase é identificar características como a competência para leitura e compreensão de diferentes textos, em linguagens diversificadas, e conhecimentos básicos nas áreas de ciências humanas, biológicas, exatas e em língua estrangeira.
Prova tem menor abstenção da história
A Fuvest somou, ao todo, 106,1 mil inscritos para a 1ª fase, incluindo 12,3 mil que estão participando de treinamento. Ao todo, são 8.147 vagas, sendo 4.888 na modalidade ampla concorrência; 2.053 para egressos de escolas públicas, e 1.206 para egressos de escolas públicas autodeclarados pretos, pardos ou indígenas.
Diretor-executivo da Fuvest, Gustavo Monaco afirmou, em coletiva de imprensa realizada no fim da tarde de domingo, que, por mais que o número de inscritos para a primeira fase deste ano tenha caído 5% em relação à última edição, a taxa de comparecimento foi a maior desde o início da aplicação da prova, há 50 anos.
"Nós tivemos a menor abstenção da história da primeira fase, de 6,4%, para os candidatos", afirmou.
Fortaleza, estreante na Fuvest, foi a cidade com a maior abstenção, de 9%, enquanto o índice ficou em 7,2% na capital paulista. "De modo geral, a prova transcorreu bastante tranquila", acrescentou Monaco.
Entre os problemas relatados, está o de um grupo de estudantes que não conseguiu realizar o exame após chegar pouco depois das 13h, horário do fechamento dos portões, em um ponto de prova em Mogi das Cruzes, Região Metropolitana de São Paulo. O motivo seria o atraso em trens da CPTM na região.
Monaco lamentou a situação, mas afirmou que não há previsão de reaplicação de prova para os candidatos que foram afetados. "O protocolo é bastante rígido nesses casos, nós não reabrimos os portões em hipótese alguma e não há reaplicação de provas", afirmou durante a coletiva.
(Com Agência Estado)
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