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Brasil Sexta-feira, 28 de Agosto de 2026, 21:26 - A | A

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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2026, 21h:26 - A | A

NO JORNAL NACIONAL

Flávio Bolsonaro é pressionado sobre Vorcaro e prestação de contas de filme em entrevista

Presidenciável do PL afirmou que relação com ex-banqueiro do Banco Master foi apenas para viabilizar filme sobre Jair Bolsonaro e negou qualquer contrapartida

CONTEÚDO G1

REPRODUÇÃO

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O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, foi questionado nesta sexta-feira (28) sobre a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e sobre a prestação de contas dos recursos destinados à produção do filme Dark Horse, que retrata o pai dele, Jair Bolsonaro. Durante entrevista à Globo, o senador afirmou que não houve irregularidade na relação com Vorcaro e disse que a prestação de contas da produção já foi realizada.

A participação foi conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, diretamente dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro. A entrevista faz parte de uma série com candidatos à Presidência nas eleições de 2026.

CASO MASTER

Flávio afirmou que procurou Vorcaro para obter patrocínio para o filme e negou que tenha recebido dinheiro diretamente. Em maio, vieram a público áudios em que o candidato pedia R$ 61 milhões ao então banqueiro para a produção de Dark Horse.

Segundo Flávio, os recursos foram destinados à produção cinematográfica e não houve qualquer transferência para ele.

“A única relação que eu tinha com ele era sobre esse filme, mais nada”, declarou.

O candidato também negou ter buscado recursos públicos para a produção e afirmou que o dinheiro obtido por meio do patrocínio foi utilizado integralmente no filme.

Questionado sobre a ausência de informações detalhadas a respeito da origem e do destino dos recursos, Flávio afirmou que havia determinado à produtora que apresentasse uma prestação de contas em até 30 dias. Segundo ele, a documentação teria sido entregue antes do prazo.

“Antes desse prazo, a prestação de contas foi feita”, afirmou.

A declaração, porém, ocorre em meio a questionamentos sobre a documentação financeira da produção. Segundo reportagem do g1 citada durante a entrevista, um perito contratado pela produtora afirmou não ter tido acesso ao fundo americano que recebeu recursos de Vorcaro e não apresentou notas fiscais, comprovantes de transferências, nomes de financiadores ou o caminho percorrido por R$ 75 milhões.

Flávio não apresentou durante a entrevista as planilhas de custos ou o contrato do filme. Ele voltou a afirmar que a produção não recebeu dinheiro público e que o custo da obra foi superior ao valor obtido por meio do patrocínio.

VISITA A VORCARO

Flávio também foi questionado sobre uma visita a Daniel Vorcaro no fim de 2025, quando o empresário já estava preso e utilizava tornozeleira eletrônica.

O candidato não respondeu diretamente se considerava adequada a visita. Em vez disso, afirmou que a relação com o ex-banqueiro era privada e negou ter oferecido qualquer favorecimento.

Flávio também direcionou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e citou uma suposta reunião entre o presidente e Vorcaro.

“O que não é adequado é um presidente da República recebendo, em uma reunião secreta, um banqueiro, prometendo ajudá-lo a resolver o problema do banco”, afirmou.

Vorcaro é investigado pela Polícia Federal por suspeitas que incluem lavagem de dinheiro, corrupção, organização criminosa, intimidação, coerção e invasão de dispositivos informáticos.

8 DE JANEIRO

Durante a entrevista, Flávio também foi questionado sobre quais garantias poderia oferecer ao eleitor de que não tentaria um golpe de Estado caso chegasse à Presidência.

O candidato criticou a condenação do pai, Jair Bolsonaro, pelo Supremo Tribunal Federal e afirmou que teria sido criada uma “grande farsa” para retirar o ex-presidente da vida pública.

Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por sete crimes, entre eles organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Ao ser questionado sobre depoimentos de militares que embasaram o processo, Flávio minimizou a gravidade das declarações de ex-comandantes das Forças Armadas sobre a possibilidade de ruptura institucional.

Sobre o general Mario Fernandes, que confirmou ter elaborado um documento com planejamento para assassinar Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes, Flávio afirmou que, caso o militar tenha feito o planejamento, a responsabilidade seria dele.

O senador também criticou os ministros do STF e afirmou que pretende, caso eleito, promover mudanças na estrutura do tribunal.

TARIFAÇO

Flávio responsabilizou Lula pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros durante o governo de Donald Trump.

“Foi o Lula que cavou com força”, afirmou o candidato, acrescentando que o presidente teria provocado a imposição das tarifas ao adotar uma postura de confronto com o governo norte-americano.

Questionado sobre a atuação do irmão Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, Flávio reconheceu que ele errou ao agradecer pelas tarifas, mas defendeu a atuação do deputado federal cassado.

Segundo Flávio, Eduardo não teria provocado diretamente o tarifaço e estaria nos Estados Unidos para tentar apresentar ao governo norte-americano a situação política brasileira.

URNAS ELETRÔNICAS

O candidato também afirmou que respeitará o processo eleitoral e o resultado das eleições. Questionado, porém, se aceitaria o resultado em caso de derrota, não respondeu diretamente.

Flávio declarou que pretende vencer a disputa já no primeiro turno.

“Eu não vou perder essa eleição. E eu digo mais: vou ganhar no primeiro turno”, afirmou.

Durante a entrevista, também reconheceu ter cometido um erro ao afirmar anteriormente que uma empresa venezuelana fabricava urnas utilizadas no Brasil.

Segundo ele, a empresa teria participado de alguns processos relacionados às eleições, mas não seria responsável pela fabricação das urnas brasileiras.

ELEIÇÕES 2026

Flávio Bolsonaro, de 45 anos, é senador pelo Rio de Janeiro e disputa pela primeira vez a Presidência da República pelo PL. Filho mais velho de Jair Bolsonaro, entrou na política em 2002, quando foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro.

A entrevista desta sexta-feira foi a quinta de uma série realizada pela Globo com candidatos ao Palácio do Planalto. Antes de Flávio, foram entrevistados Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Lula.

A próxima entrevista está prevista para sábado (29), com Augusto Cury, do Avante. O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro.

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