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Brasil Quinta-feira, 03 de Setembro de 2026, 16:00 - A | A

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Especialistas avaliam relatório da ONU sobre alta da temperatura global e destacam dificuldades

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

A comunidade global precisaria atingir a marca anual de US$ 5 trilhões de investimentos em descarbonização para fazer frente aos desafios colocados pelo relatório "Limiting Overshoot", publicado nesta quarta-feira, 2, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O documento parte da premissa de que o limite de aquecimento global estabelecido em 1,5ºC pelo Acordo de Paris será ultrapassado (overshoot) e apresenta caminhos para limitar e reverter essa elevação.

O cálculo foi apresentado pelo especialista sênior do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) e professor de Economia da Sustentabilidade da PUC-Rio, Sergio Margulis, durante mesa redonda promovida pelo Instituto Clima e Sociedade, onde o novo relatório do Pnuma foi discutido. Margulis lembrou a necessidade de se olhar a questão do clima do ponto de vista econômico, apontou que atualmente são gastos cerca de US$ 2 trilhões ao ano na descarbonização e alertou que o aumento precisaria ocorrer rapidamente.

Margulis ponderou que as necessidades de descarbonização são conhecidas e que o problema são os custos. "A descarbonização não é barata e tem que atingir todos os países", disse.

O especialista alertou também para o custo ainda maior da inação. Segundo ele, se nada for feito, o custo do impacto deve girar ao redor de 2% do PIB global para um aumento de temperatura entre 1,5ºC e 1,7ºC. "Se formos para 3ºC, o impacto estimado é de 10% do PIB global, uma fortuna!", afirmou.

Pelas contas da presidente do Comitê Diretor do Sistema Global de Observação do Clima (GCOS) da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Thelma Krug, o aumento da temperatura já está em torno de 1,37ºC e passará a marca de 1,5ºC nos próximos dez anos.

"Exceder 1,5ºC (overshoot) é entendido como inevitável e a inevitabilidade foi trazida com mais força neste relatório", apontou Krug. Ainda assim, a especialista lembrou que o Conselho do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) entende o excedente de temperatura como temporário e afirmou que "reverter o overshoot é possível". Ainda assim, ela destacou pontos do relatório e outros estudos que mostram que combater o overshoot não é uma tarefa fácil.

Na mesma linha, a diretora executiva do Instituto Clima e Sociedade, Maria Netto, ressalta que o overshoot "não pode ser desculpa para desistirmos da meta de 1,5ºC". "Cada fração de grau importa. Cada ano que conseguimos reduzir o período dessa ultrapassagem importa. E cada investimento que fazemos hoje em mitigação, adaptação e resiliência importa", disse em nota.

"É importante apontar que temos um conjunto de medidas em curso ao mesmo tempo em que a crise se aprofunda", defendeu Krug. Maria Netto lembrou o fato de que quanto maior for o pico de temperatura alcançado, "mais difícil, incerto e caro será fazer com que o aquecimento volte a cair".

(Com Agência Estado)

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