Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, 22, a delegada Anala Lelis, da Delegacia de Jaboticatubas, afirmou que, no dia do desaparecimento, Beatriz estava em um bar na cidade com alguns amigos.
Segundo o delegado Alexandre Fonseca, da Divisão Especializada de Referência à Pessoa Desaparecida, uma câmera de monitoramento registrou o momento em que um carro parou a alguns metros do bar.
O delegado disse que três pessoas estavam no carro: o ex-namorado de Beatriz, Samuel Castro Melo, de 18 anos, a atual namorada dele, Carla Luza da Silva, de 23 anos, e uma adolescente, que não foi identificada.
A advogada Tatiany Barbosa, responsável pela defesa de Carla, afirmou que a mulher alega ser inocente e optou por ficar em silêncio na delegacia, mas que apresentará sua versão à Justiça.
Procurada, a defesa de Melo não retornou o contato do Estadão. O espaço segue aberto.
As testemunhas relataram aos policiais que Beatriz recebeu uma ligação de um número desconhecido, mas que, pelo teor da conversa, identificaram que o ex-namorado dela estava do outro lado da linha.
Segundo Anala, após receber a ligação, a vítima foi em direção a uma rua de terra e, depois, retornou ao bar. As testemunhas disseram aos policiais que Beatriz voltou para a rua de terra, mas, antes de deixar a mesa, avisou que, caso não voltasse em cinco ou dez minutos, eles deveriam procurar por ela.
Quando a jovem não retornou, os amigos tentaram localizá-la, mas não tiveram sucesso. No mesmo dia, eles comunicaram o desaparecimento à família e à Polícia Civil.
A investigação
Fonseca afirmou que os três ocupantes do carro foram ouvidos, mas que havia contradições nos depoimentos. Na quarta-feira, os policiais decidiram procurar o pai da adolescente, que conversou com a menina e a convenceu a colaborar com a investigação.
"Ela demonstrou muito medo dos demais autores, mas colaborou e indicou para nós a região onde o corpo estava desovado", disse Fonseca. Segundo ele, o corpo estava em uma região conhecida como "loteamento dos portugueses", onde está sendo construído um condomínio de alto padrão.
Um dos investigadores identificou uma área com terra remexida e muitas moscas. Os policiais já haviam levado equipamentos para escavação e localizaram o corpo, com as mãos e os pés amarrados, em uma cova de profundidade baixa a média.
O Corpo de Bombeiros chegou a ser acionado pela Polícia Civil para auxiliar na retirada do corpo, mas não precisou intervir.
Os agentes também localizaram um chinelo e uma capa de celular que pertenciam a Beatriz. O irmão da vítima confirmou a identidade dela após ver uma foto de uma tatuagem extensa na perna, identificada por uma perita.
Melo e Carla foram presos na noite de quarta-feira, e os celulares deles foram apreendidos. Segundo Fonseca, Melo afirmou em depoimento que a adolescente era responsável pela "mentoria, dinâmica e execução" do crime. Ele também disse que Carla não teria participado da ação.
O delegado afirmou que a adolescente disse ter ficado dentro do carro e não ter participado da dinâmica do crime. Ela teria percebido algo de errado quando Beatriz não retornou para o veículo.
O caso é investigado como feminicídio. Segundo o delegado, a motivação identificada até o momento seria uma desavença entre Carla e Beatriz.
(Com Agência Estado)
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